Prefeito e secretário da Fazenda de Mundo Novo são expulsos do PMDB
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terça-feira, 07 de dezembro de 1999
Por João Naves (especial para a AE) 
Campo Grande, 07 (AE) - O prefeito de Mundo Novo, no Extremo Sul de Mato Grosso do Sul, Kleber Correa de Souza, e o secretário da Fazenda da prefeitura, Jusmar Martins da Silva, foram expulsos do PMDB. O desligamento foi oficializado hoje, atendendo a determinação do presidente regional do partido, senador Ramez Tebet.
O motivo alegado pelo senador é que o prefeito nomeou Silva sabendo que ele foi o principal mandante do assassinato da antecessora, Dorcelina Folador (PT), ocorrido em 30 de outubro.
O secretário declarou à polícia que o primeiro a quem contou que mandou matar a prefeita foi Souza. Na avaliação de Tebet, os dois não têm conduta ética e, portanto, "são indesejáveis no PMDB". Ele explicou que Souza e Silva deixaram o PMN para se filiar ao PMDB 30 dias antes do assassinato de Dorcelina. "O prefeito atual procedeu de forma lamentável porque, sabendo do comportamento de Jusmar, acabou nomeando-o para o cargo", disse o senador.
O líder da bancada do PMDB na Assembléia Legislativa, Onevan de Matos, argumentou que Souza e Silva foram aceitos no partido por não haver, na época da filiação, nada que desabonasse a conduta deles.
Há dois dias consecutivos, dezenas de manifestantes estão realizando vigília em frente da prefeitura de Mundo Novo. Eles mantêm as portas do prédio fechadas para que o prefeito não entre e, com faixas, cartazes e palavras de ordem, pedem o afastamento dele do cargo. Uma comissão está negociando na Assembléia e com o governo do Estado a intervenção no município.
O governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, disse que está estudando a situação. Ele ressaltou que o objetivo mais imediato é acabar com o crime de pistolagem no Estado. Lembrou que, durante as investigações da morte de Dorcelina, foram descobertos oito assassinatos por encomenda.
O chefe das investigações sobre o homicídio, delegado Marcelo Vargas, afirmou que não vai indiciar o prefeito porque ele não teve participação direta na morte da prefeita. Segundo Vargas, o fato de o prefeito ter ocultado as informações sobre Silva não caracteriza crime. Silva - que é cunhado do prefeito e filho do delegado de polícia de Mundo Novo, Joel da Silva - assumiu toda a responsabilidade pelo assassinato. Toda a cúpula da polícia acredita que o caso está inteiramente esclarecido.


