O prefeito de Novo Progresso (PA), Juscelino Alves Rodrigues, acusou ontem funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) de montar uma ‘‘farsa’’ para acelerar o processo de demarcação das terras da Reserva Baú, em Altamira (PA). Ele se referia ao sequestro de 16 pescadores de São Paulo e do Pará, no início do mês, por um grupo de índios caiapó. Rodrigues depôs na Comissão da Amazônia, da Câmara de Deputados. A reserva Baú tem 1.850 mil hectares. A demarcação foi determinada pelo ministro da Justiça, José Gregori, após negociação com os índios para que libertassem os turistas.
A denúncia de Rodrigues foi reforçada pelo deputado Nísias Ribeiro (PSDB-PA), que acusou o administrador da Funai em Colider (MT), Megaron Txucarramãe, de estar por trás do sequestro. Ribeiro insinou que Megaron teria fretado um avião para levar os pescadores para a região da reserva Baú.
Megaron rebateu a acusação. ‘‘É mentira’’, defendeu-se o
administrador. Disse que nem ele nem a Funai ‘‘patrocinaram’’ o sequestro.
O presidente interino da Funai, Dinarte Nobre de Madeiro e o diretor de Assuntos Fundiários, Paulo Roberto Soares, explicaram aos deputados que a área onde fica a reserva Baú vem sendo utilizada historicamente pelos índios e que a presença de não-índios é recente. Madeiro disse que em 1990 a área foi definida em 1.850 mil hectares, mas até o momento os limites não foram estabelecidos.
Fazendeiros querem ficar com uma área de 600 mil hectares e prometeram resistir à demarcação. O ministro Gregori afirmou que o governo não passará por cima dos direitos da pessoas e quem tiver direito será indenizado na área da reserva do Baú.
Refém O antropológo Édson Lasmar está sendo mantido como refém por cerca de 80 índios na tribo terena, em Mato Grosso do Sul. Os indígenas ocuparam a sede da Funai na região e estão armados e pintados para guerra. Eles exigem a demarcação imediata da aldeia Buriti, a 60 quilômetros de Campo Grande. Uma equipe da Funai está no local para tentar negociar com os índios.

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