Belém, 17 (AE) - O prefeito de Anajás, no arquipélago do Marajó, no norte do Pará, Raimundo Nogueira Filho, denunciou hoje a utilização de mão-de-obra infantil na extração de palmito no município. De acordo com Nogueira, são centenas de crianças, a maioria de 7 a 14 anos, que não frequentam a escola por serem "obrigadas pelos pais a trabalhar".
De acordo com o prefeito, há anos as 30 empresas de palmito que atuam em Anajás usam trabalho de crianças. "Antes de eu ser prefeito isso já era comum no município."Ele anunciou que vai se reunir na próxima semana com técnicos do governo do Estado, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e empresários do setor para sugerir a troca da exploração de palmito pelo processamento da polpa de açaí. "Isso deve ajudar a tirar essas crianças do trabalho na mata e evitar que elas peguem doenças como a malária."
De acordo com a coordenadora do Núcleo de Combate ao Trabalho Infantil da Delegacia do Trabalho no Pará, Deise Mácola de Freitas, a última fiscalização feita pelo órgão em Anajás foi em abril. "Os fiscais constataram que os pais levam seus filhos para as matas da região e os utilizam na extração e corte do palmito, que depois é vendido às empresas." A coordenadora entende que o Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente é quem tem competência para proibir o trabalho infantil na região. Mas só isso, diz , não basta. "É preciso oferecer alternativas de sobrevivência a esses pais para que deixem de explorar os filhos."

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