Ribeirão Preto, SP, 19 (AE) - A denúncia de processo-crime contra o prefeito de Severínia (região de Ribeirão Preto), Mário Lúcio Lucatelli (PSD), será julgada amanhã (20) por cinco desembargadores da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, em São Paulo. O prefeito poderá ser afastado do cargo sob a acusação de desvio de dinheiro público (aproximadamente R$ 300 mil) e de ser o mandante de dois atentados contra o advogado Joaquim Arnaldo da Silva Neto, que fez várias denúncias das supostas irregularidades. O julgamento só será adiado se algum desembargador pedir vistas do processo.
Cerca de 30 denúncias - cheques da prefeitura depositados na conta particular de Lucatelli, falta de licitações para contratação de serviços públicos, utilização de máquinas da prefeitura na construção de uma casa de prostituição, emissões de notas frias ou falsas, vendas irregulares de loteamentos, superfaturamento na compra de combustíveis - contra o prefeito surgiram no final de 1997. Várias investigações foram propostas pela Promotoria de Justiça de Olímpia.
Além de Lucatelli, outras cinco pessoas, que estariam envolvidas no esquema, serão julgadas, como os comerciantes Jair Aparecido Gerolin e José Sibioni Poletti, o ex-secretário de Obras Carlos Alberto Lopes e o chefe do setor de compras da prefeitura Araré DAgostinho.
Devido às investigações do Ministério Público contra o prefeito, o promotor Dosmar Sandro Valério e o juiz Atis de Araújo Oliveira, ambos da comarca de Olímpia, receberam ameaças de morte. Um inquérito policial foi aberto na Delegacia Seccional de Barretos para apurar essas ameaças.
Lucatelli desmente todas as acusações. "Essa calúnia não tem tamanho", diz ele. "São todas infundadas." Ele aponta Silva Neto como articulador de "armações" e garante que as contas da prefeitura estão em dia. "Não estou preocupado com o julgamento", afirmou. Sobre os depósitos de cheques do poder público em sua conta bancária, o prefeito informou que pagou contas do município do próprio bolso e depois foi reembolsado, sem juros, pelos cofres públicos. "Tenho documentos provando minha inocência", garantiu ele.
O prefeito de Severínia, cidade de aproximamente 16 mil habitantes, disse ainda que Silva Neto ficou na administração apenas nos três primeiros meses de seu mandato. "Foi um péssimo assessor e foi dispensado", disse Lucatelli, acrescentando que o advogado pertenceria ao "grupo do vice". O vice-prefeito Orlando de Domingos (PSDB), que está distante da administração direta e pode assumir o poder se Lucatelli for afastado, chegou a ficar oito meses sem receber salários.

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