Prefeito de Pirajuí é afastado novamente do cargo
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segunda-feira, 16 de agosto de 1999
Por Jair Aceituno (especial para a AE) 
Pirajuí, SP, 17 (AE) - Depois de 11 dias de reassumir o cargo, o prefeito de Pirajuí, no interior de São Paulo, José Carlos Ortega Jeronymo (sem partido), foi novamente afastado. O ministro Garcia Vieira, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, no início do mês, concedeu liminar reconduzindo-o ao cargo, depois de receber informações da Câmara Municipal, reconsiderou e decidiu mantê-lo afastado. A informação chegou à cidade ontem (16) à noite, quando o vice-prefeito Dino Rinaldi foi chamado a reassumir e anunciava a revogação de atos baixados por Jeronymo nos dias em que governou a cidade, de 20 mil habitantes.
Como ocorreu nas duas vezes anteriores, as portas do prédio da prefeitura foram abertas por um chaveiro, que trocou os segredos e fez novas chaves. O automóvel de um dos assessores do prefeito afastado ficou retido no estacionamento do prédio porque, segundo os opositores, nele, estariam sendo levados documentos pertencentes à prefeitura.
A crise política local arrasta-se há mais de um ano. Jeronymo teve o mandato cassado pela Câmara Municipal no fim de agosto de 1998, acusado de prejudicar o funcionamento do Legislativo, ao não repassar os duodécimos previstos no orçamento municipal e nem responder aos requerimentos dos vereadores. Retornou ao cargo em novembro, protegido por uma liminar expedida pelo desembargador Cuba dos Santos, do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado. Foi novamente afastado em maio, quando o tribunal revogou a liminar e negou o recurso interposto contra a cassação. A volta dele ao posto, no dia 5, determinada pelo STJ, supreendeu a todos.
Durante o período em que governou com a liminar, Jeronymo enfrentou muitos problemas. A Câmara Municipal abriu duas comissões especiais de inquérito (CEIs), que investigam a compra de mercadorias com notas de uma empresa fantasma, cujo registro foi encerrado, e a aquisição de combustíveis para a prefeitura no posto pertencente ao filho do prefeito. O delegado Edson Cardia, assistente da Seccional de Polícia de Bauru, propôs o afastamento do prefeito porque, segundo denunciou, ele obstruía o andamento de inquéritos policiais contra a administração municipal.


