Itanhaém, SP, 18 (AE) - O trem de passageiros já não passa pelos trilhos da Ferroban, antiga Sorocabana, no ramal ferroviário do litoral de São Paulo. De madrugada, uma composição transportando minério ou areia ainda passa por ali, mas não é suficiente para quebrar a imagem de abandono deixada pela ferrovia. "O que sentimos é que a Ferroban não tem interesse na manutenção desse ramal nem os serviços normais de manutenção estão sendo realizados", diz o prefeito de Itanhaém, no litoral sul, João Carrasco (PMDB). Ele está sugerindo a extinção do ramal, para dar espaço a uma larga avenida para nova ligação das cidades do litoral.
Segundo Carrasco, a faixa de 26 quilômetros de via que corta o município está abandonada. Por conta disso, o prefeito notificou a Ferroban para que promova a limpeza das áreas lindeiras à ferrovia. Também as estações de Suarão, Centro e Camboriú, "que se estão deteriorando", preocupam o prefeito. Em decreto do dia 5, ele declarou de utilidade pública para fins de desapropriação as estações de Suarão e do Centro. "Elas serão transformadas em espaços culturais, pois não servem mais para acomodar as pessoas que viajavam de trem." A prefeitura poderá ficar com os imóveis de forma amigável, por meio de acordo, ou desapropriá-los judicialmente.
Carrasco pretende também cobrar da Ferroban tributos municipais, como os Impostos Predial e Territorial Urbano (IPTU) e sobre Serviços (ISS), que, calcula, somam este ano R$ 700 mil. Segundo ele, a cobrança pode ser retroativa aos últimos cinco anos.
A deputada estadual Maria Lúcia Prandi (PT), ao contrário de Carrasco, acha que o ramal tem de ser mantido. "Nossa região não pode abrir mão de um sistema já existente, cuja recuperação implica custo muito inferior ao da construção de corredor expresso para ônibus, por exemplo."
Maria Lúcia defende a união dos prefeitos "para reverter o sucatamento" do sistema ferroviário da Baixada Santista (SP). "A ferrovia é uma importante alternativa para melhorar o transporte de passageiros e cargas, podendo ainda incentivar o turismo", diz. "Os trilhos cortam cenários belíssimos de Mata Atlântica." A Assessoria de Imprensa da Ferroban informou que a diretoria da empresa preferia não se manifestar hoje.

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