Itaguaí, RJ, 24 (AE) - O prefeito de Itaguaí, no Rio, José Sagário Filho (PSDB), tem um salário mensal de R$ 20,1 mil, mais que o dobro da remuneração do presidente Fernando Henrique Cardoso, de R$ 8,5 mil, e emprega em secretarias municipais oito parentes, com salários entre R$ 1 mil e R$ 6 mil.
As denúncias foram feitas pelo vereador Alcyr Martinazzo (PSB), que apresentou um requerimento, em fevereiro, pedindo à prefeitura informações sobre os valores recebidos pelo prefeito e a família dele. Na resposta oficial, vêm listados, entre outros, a mulher, os filhos e a irmã de Sagário Filho, além do ex-sócio. A prefeitura não forneceu, no entanto, o valor do salário de Sagário Filho. Martinazzo, em plenário, mostrou a prestação de contas do município relativa a 1997, na qual consta que o prefeito recebeu R$ 241.554,00 naquele ano.
O prefeito de Itaguaí não nega a remuneração - composta de salário e de uma gratificação, em efeito cascata, que pode chegar a 500% do valor inicial -, nem o emprego dos parentes. Segundo o secretário de Governo, Dênio Vieira, encarregado pelo prefeito de dar a versão oficial, os ganhos foram determinados pelo Poder Legislativo. "Foi a própria Câmara de Vereadores quem fixou isso", afirmou Vieira. Para explicar a presença de tantos Sagários na administração municipal, ele afirmou: "São pessoas competentes e de confiança."
O secretário disse que os vereadores estão fazendo uma campanha contra o prefeito, desde que o orçamento da Casa foi reduzido de R$ 5,6 milhões para R$ 3 milhões, o equivalente a 10% do total.
Foram abertas quatro comissões parlamentares de inquérito (CPIs) para investigar ações da prefeitura. A mais curiosa delas foi apelidada de CPI da Farra do Boi e investiga a denúncia de que a irmã e um dos sobrinhos do prefeito, que é secretário de Turismo, faziam despesas por conta da prefeitura na churrascaria Bicão Cadena. A conta de R$ 5.580,00, porém, não foi paga e os proprietários apresentaram a queixa aos vereadores.
"Há também uma dívida de R$ 72 mil em quentinhas (alimentos em marmita) fornecidas irregularmente por essa churrascaria a funcionários da prefeitura", disse o vereador Marcio Pinto (PMDB), presidente da CPI. Vieira negou que houvesse autorização da prefeitura para pagamento dessas despesas.
Na semana passada, foi instalada uma comissão para apurar se houve irregularidades no acordo que permitiu à empreiteira Camargo Corrêa depositar restos da dragagem do Porto de Sepetiba num manguezal em Itaguaí. Em troca, a empresa asfaltou uma estrada no município - e contratou a firma do prefeito, Semag, para fazer o trabalho de terraplanagem. Segundo Martinazzi, que preside essa CPI, a área de 300 mil metros quadrados é de proteção ambiental e foi degradada com o aterro.

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