São Paulo, 17 (AE) - O prefeito de Guarulhos, Jovino Cândido (PV), declarou ao delegado-seccional Claudio Gobbetti que possui duas gravações comprovando a participação do vereador Waldomiro Ramos (PTB) no esquema para extorquir e obter vantagens da administração. O depoimento foi prestado por Cândido na quarta-feira.
O relato foi acompanhado pelos promotores Fábio Ramazzini Bechara e Neudival Mascarenhas Filho. A primeira gravação teria sido feita entre setembro e dezembro pelo superintendente do Serviço Autônomo de água e Esgoto (Saae), Mario Rifai. Ramos teria feito especulações sobre um acordo para participar do governo.
A outra conversa, gravada por Cândido, seria deste ano. Segundo o depoimento, Ramos teria afirmado que, na gestão do ex-prefeito Néfi Tales (PDT), comandava as Secretarias de Finanças, na qual arrecadava R$ 40 mil mensais, e de Serviços Públicos, na qual recebia R$ 40 mil pelo contrato com a empresa de coleta de lixo Quitaúna.
O prefeito negou-se a entregar as provas à polícia. O motivo seria a divulgação, no dia 5, de dois vídeos nos quais o prefeito relata ao empresário Luís Roberto Mesquita e ao deputado estadual Elói Pietá (PT) os detalhes de um esquema de pedidos de propina e vantagens por 13 vereadores, 12 investigados por concussão e um por advocacia administrativa.
Nega - Waldomiro Ramos disse hoje que nunca esteve a sós com Rifai ou com Cândido, nem fez nenhum pedido. "O prefeito não apresentou provas, pois elas não existem", criticou. Ramos entrou no mês passado com medida cautelar para exigir que Cândido provasse as denúncias. A reportagem procurou o prefeito hoje, mas a informação oficial era de que ele estava fora da cidade.
Detalhes - O depoimento de Jovino Cândido à polícia acrescentou detalhes à representação encaminhada por Pietá ao Ministério Público Estadual (MPE). Ele revelou que nove vereadores pediram vantagens pessoalmente e outros três atuaram por meio de interlocutores, entre setembro e dezembro. O prefeito confirmou a existência de um receituário do vereador Peter Pong (PSD) com pedidos por escrito.
Em dois casos, as informações não coincidem com a representação. Cândido confirmou que o vereador Sebastião Alemão (PSDB) pedia pagamentos informais de R$ 25 mil a R$ 30 mil mensais à Rádio Líder, mas nada falou sobre uma solicitação de R$ 25 mil, para uso próprio, relatada a Mesquita e Pietá. Outra diferença se refere a Gilberto Penido (PPB). Na polícia, Cândido não confirmou os pedidos de R$ 20 mil mensais que constam da representação.

mockup