Guará, SP, 16 (AE) - Uma falha de comunicação entre a Promotoria Pública de Guará, na região de Ribeirão Preto (SP), e órgãos da imprensa fez divulgar que o prefeito guaraense, Cesar Antônio Moreira (PT), teria sido afastado do cargo por ilegalidade e imoralidade administrativa.
Na verdade, Moreira não foi afastado, mas está com este pedido requerido pela promotoria. O processo de ação civil pública condenatória conta com quase 3 mil páginas que apresentam irregularidades como emissão de empenhos para pagamento de viagens fantasmas, licitações direcionadas e contratação irregular de funcionários. Aparecem no processo notas fiscais da empresa Grande Hotel Broadway, de São Paulo, adulteradas.
São sete notas deste hotel, nas quais na terceira via consta, por exemplo, o valor de 61 reais, e na primeira via, quitada pela prefeitura, R$ 2.178,00. Outro hotel de São Paulo, o Orly, também aparece com notas adulteradas: uma de 150 reais foi paga com o valor de R$ 1.150,00.
Nas investigações da promotoria, consta que funcionários da prefeitura apresentavam notas de viagem no mesmo dia em que assinavam o livro-ponto de serviço e realizavam trabalhos na cidade. A maioria das irregularidades foi confessada em juízo pelo ex-secretário da Administração da prefeitura de Guará José Orlando da Silva Cravo - hoje, funcionário da agência do centro da Caixa Econômia do Estado de São Paulo em Franca (SP) - que afirmou pegar os documentos em branco com o prefeito, pedindo para terceiros preencherem os mesmos. No depoimento, Cravo disse que era "a pedido ou cumprindo ordens do sr. prefeito".
Após a quebra do sigilo bancário, ficou constatado que parte do dinheiro havia sido depositado na conta particular de Cravo. O promotor alega ainda que o prefeito fazia viagens fantasmas, como em 11 de janeiro, quando que esteve em São Paulo
Igarapava, Ribeirão Preto, Jundiaí, São Simão, Limeira, Pirassununga, Nova Odessa, Vinhedo, Campo Limpo e Sales de Oliveira. Nesse mesmo dia, ele esteve também na prefeitura de Guará, onde assinou vários despachos.
Quanto às licitações, o promotor aponta uma das irregularidades, na qual um bar e mercearia foi o vencedor para coleta de lixo e varrição de ruas. Fora isso, a contratação de 215 pessoas sob o regime de cargos de provimento em comissão, sem concurso, está sob suspeita.
O promotor de Guará, Carlos Ernani Constantino, comentou que, nos próximos dias, o pedido de liminar deverá ser analisado pela Justiça. "Estou pedindo liminar com o afastamento do prefeito para que as investigações possam ser feitas de forma transparente e sem qualquer influência", finalizou. O prefeito não foi encontrado na cidade.

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