Embu das Artes, SP, 21 (AE) - Depois de uma série de denúncias de corrupção, o prefeito de Embu das Artes, Oscar Yazbek (PSD), reassumiu o cargo hoje. Ele havia sido cassado na semana passada pela Câmara. Ao mesmo tempo, os vereadores em exercício davam andamento à sessão que poderia cassar os 18 vereadores afastados há seis meses pela Justiça, acusados de uso de dinheiro público e falsificação de documentos. Uma decisão do Tribunal de Justiça (TJ), porém, deve permitir que esses parlamentares voltem a exercer o cargo normalmente.
Yazbec é acusado, entre outras coisas, de superfaturamento de obras públicas, favorecimento ilícito de empresas em concorrência e dispensa ilegal de licitações. Hoje, no fim da tarde, quando chegou à prefeitura, ele disse estar tranquilo em relação às acusações. "É uma questão tipicamente política", afirmou. "A oposição já tentou me tirar daqui outras vezes e não conseguiu." O prefeito reassumiu depois de receber uma liminar emitida pela juíza Mônica de Cássia Thomaz Lobo. Ele havia sido afastado duas vezes do cargo. Na Câmara, o dia foi bastante tenso. Ao mesmo tempo em que ocorria a sessão na qual poderia ser decidida a cassação dos vereadores afastados, o grupo de parlamentares comemorava a decisão judicial que deve lhes permitir a volta à Casa. Vereadores, parentes e ex-funcionários da Câmara estiveram no plenário e, aos gritos, pediram a saída dos suplentes que estão atualmente atuando na Casa.
Depois do afastamento, há cerca de seis meses, os vereadores entraram com um agravo de instrumento no TJ, pedindo a volta aos cargos. A votação ocorreu hoje e dois dos três desembargadores votaram favoravelmente aos parlamentares.
Para que essa decisão suspendesse a sessão em andamento hoje, seria necessário que um oficial de Justiça fosse à Casa e comunicasse o atual presidente da Câmara, Geraldo Cruz (PT), da decisão. A juíza em exercício, no entanto, decidiu apenas determinar a publicação no "Diário Oficial" do município. De acordo com advogados, isso pode demorar semanas para ocorrer.
Com isso, a sessão continuou. Cruz afirmou que pretendia dar andamento à leitura do relatório e, se possível, colocá-lo em votação. A primeira etapa, porém, deveria ser concluída apenas por volta das 22 horas.
Depois disso, os vereadores começariam a apresentar as defesas. Cada um dos 18 parlamentares teria direito a duas horas de exposição. Só depois disso é que a votação poderia começar.
Todos os vereadores estão sob a mesma acusação: uso de dinheiro público em congressos que não existiram. Dos 19 vereadores da Casa, apenas um - o atual presidente da Câmara - não foi afastado.
Emocionados, os parlamentares que poderão voltar ao cargo diziam hoje poder provar inocência. Chorando, a vereadora Neide Orlandin (PDT) afirmou que não deve nada aos cofres públicos. "Eu estava pagando por coisas que não fiz." O vereador José Pereira Santos (PDT) fez as mesmas afirmações e disse querer provar a incocência. "Foram seis meses de humilhação", contou.
"A gente vai provar a inocência, mas eu não posso declarar como." Cruz disse que a Casa economizou R$ 300 mil no tempo em que os vereadores ficaram afastados. "Isso mesmo com a gente pagando esses vereadores e pagando as indenizações dos trabalhadores que foram demitidos." Ele afirmou que a Casa dispensou 30 funcionários e a Justiça, outros seis. "Economizamos em xerox, gasolina e cortamos os altos salários." O atual presidente da Câmara afirmou que ficou decepcionado com a Justiça. "A perspectiva aqui é de tudo acabar em pizza mesmo."

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