Vitória, 26 (AE) - O prefeito de Cariacica (Grande Vitória), Dejair Cabo Camata, de 43 anos, morreu na madrugada de hoje em um acidente de carro, na estrada que liga Linhares a Jaguaré, no norte do Estado, a 160 quilômetros de Vitória. Camata estava sozinho em um Santana e, por volta das 3h30, invadiu a contramão e bateu de frente com o Corsa, placa NSE 8020, dirigido por Daniele Denis, 18 anos.
O irmão do prefeito, Manoel, que o acompanhava em outro veículo, chegou a levar Camata com vida para o Hospital Rio Doce
em Linhares, mas às 6h55 ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Daniele e sua amiga, Fernanda Soneguetti, que estava no banco do carona, sofreram ferimentos leves.
Segundo boletim do Departamento Médico Legal de Linhares
assinado pelo legista Francisco Lopes da Costa, a necrópsia mostrou que o prefeito foi vítima de "traumatismo fechado de abdômen", que provocou a ruptura do fígado e consequente hemorragia interna. Ele sofreu ainda fratura exposta de fêmur.
Cabo Camata será enterrado hoje, às 8 horas, no cemitério de Marilândia, cidade onde nasceu, a 200 quilômetros de Vitória. O corpo do prefeito foi velado durante todo dia de hoje, em frente ao seu gabinete, no prédio da prefeitura, de onde afirmava que só sairia "dentro de um caixão". Segundo a Polícia Militar, cerca de mil pessoas passaram pelo velório, que durante todo o tempo foi acompanhado pela avó de Camata, dona Cristina, a mãe, Inês, e a mulher, Leonor. A três evitaram falar com jornalistas.
O vice-prefeito Jésus Vaz foi empossado hoje mesmo, em uma cerimônia simples na Câmara dos Vereadores, comandada pelo presidente da Casa, Rogério Santório (PMDB). Vaz era inimigo político de Camata e estava sem falar com ele desde setembro de 1997, quando sofreu uma tentativa de homicídio.
O vice-prefeito estava parado com o seu carro em um sinal vermelho, quando foi baleado no braço esquerdo por um motoqueiro que fugiu em seguida. Na época, ele acusou o prefeito e o presidente da Câmara de serem os mandantes do crime, que até hoje não foi solucionado. Apesar de acusado por Vaz, o presidente da Câmara acredita que não terá problemas com o novo prefeito de Cariacica. "Eu acho que ele deve colocar uma pedra em cima do que aconteceu e tocar a administração", disse Santório.