Prefeito de Belém cobra Gabriel na Justiça sobre conflito com sem-terra
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de abril de 2000
Por Carlos Mendes 
Belém, 23 (AE) - O prefeito de Belém, Edmílson Rodrigues (PT)
ingressou ontem (22), no Tribunal de Justiça do Pará, com uma interpelação contra o governador Almir Gabriel (PSDB), que o acusou de haver incitado integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de outros movimentos sociais a invadir, depredar e quebrar veículos dentro da Secretaria de Segurança Pública, no último dia 17, durante manifestação pelos quatro anos da morte de 19 sem-terra, em Eldorado dos Carajás.
Os advogados do prefeito querem que Gabriel confirme as afirmações que ele teria feito aos jornais de Belém, classificando os responsáveis pelo quebra-quebra como "pessoas violentas que agiram com a cobertura do executivo municipal". Segundo a petição, as declarações de Gabriel seriam "incondizentes (sic) com a postura exigível de um governador de Estado". Se o governador confirmar o que foi divulgado pela imprensa, o prefeito promete processá-lo por calúnia e difamação.
A Polícia Civil, controlada pelo governador, porém, já se antecipou e deu o troco: pretende convocar o prefeito para depor
nesta semana, no inquérito que apura danos contra o patrimônio público e privado. Onze pessoas já foram indiciadas e outras sete estão sendo investigadas.
O delegado geral, João Moraes, teria em seu poder gravações feitas pela Rádio Cultura, do governo do Estado, com discurso do prefeito, feito durante a passeata dos sem-terra que redundou no quebra-quebra, mencionando palavras como "ódio" e "vingança".
Segundo a polícia, as declarações teriam sido uma senha para os radicais atacarem o prédio da Secretaria de Segurança Pública.


