Prefeito de Avaré demite 390 servidores
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de setembro de 1999
Por Jair Aceituno (especial para a AE) 
Avaré, SP, 06 (AE) - Por meio de um decreto publicado no fim de semana, o prefeito de Avaré, no interior de São Paulo, Joselyr Benedicto Silvestre (PPB), demitiu 390 servidores municipais, o que representa um terço do quadro da prefeitura.
Os atingidos pela medida são os admitidos nos concursos públicos realizados em 1995 e 1996, quando o município deixou de trabalhar com celetistas e os admitiu em cargos de carreira. Os concursos encontraram restrições no Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo, cujos técnicos afirmaram terem os funcionários sido favorecidos em relação aos demais concorrentes
pois, em alguns casos, obtiveram pontos a mais para a classificação.
A validade do concurso vem sendo discutida desde 1997, quando, logo após a posse, Silvestre enviou correspondência ao TCE afirmando ter a disposição de fazer as correções que fossem necessárias. Por orientação dele, duas comissões de inquérito foram constituídas na Câmara Municipal, mas chegaram a resultados contraditórios sobre o assunto. Agora, com o decreto, veio a providência: ficam nulos todos os editais de admissão de funcionários baseados nos dois concursos. Mas, para evitar que a administração sofra com a falta de funcionários, todos devem permanecer nos cargos até a realização de novos concursos. O prazo estipulado para o desligamento de todos é 4 de dezembro, quando haverá os novos concursados.
Fazem parte do grupo de demitidos três vereadores e dois secretários municipais que, para continuar no funcionalismo, terão de fazer novas provas. Apesar de não ter havido expediente por causa do ponto facultativo de hoje, a movimentação na cidade foi grande. O presidente da Associação dos Funcionários Públicos Municipais, Oswaldo Bouças Mendes, que também está entre os demtidos, afirma que, "se houve falha, não foi dos funcionários". "Mas o prefeito, em vez de nos defender no tribunal, ficou contra a classe porque isso atende a seus interesses políticos." A sindicalista Sônia Vailati Severo, do Sindicato dos Funcionários Municipais, disse que, além de medidas judiciais protocoladas hoje, a entidade vai promover atos públicos pela preservação dos empregos e, para isso, conta com o apoio de diferentes forças da comunidade. Procurado pela reportagem para falar sobre o assunto, o prefeito não foi encontrado.


