Anehmbi, SP, 06 (AE) - O prefeito de Anhembi, no interior de São Paulo, Geraldo da Conceição Cunha (PSDB), disse hoje que não indicou nenhuma área para a transferência dos sem-terra que estavam acampados na cidade. Segundo ele, o terreno do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) que poderia servir como acampamento provisório, teria sido encontrado pelos sem-terra, com base nas indicações de moradores. "Eles souberam do terreno, foram lá e acharam que servia, mas não levaram ninguém da prefeitura." O prefeito disse ter comprometido-se apenas a fazer gestões junto ao governo para que os sem-terra não fossem despejados da área supostamente pública.
O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Gilmar Mauro reagiu hoje à noite às declarações do prefeito, ameaçando a cidade com nova invasão. "Desta vez, vamos para a frente da prefeitura", disse. Segundo ele, os sem-terra foram induzidos em erro por assessores do prefeito, com a conivência dele.
"Um deles acompanhou nosso pessoal até lá e mostrou o terreno." A área que, segundo Mauro, foi apontada como sendo do DER, faz parte da Fazenda Maria ¶ngela e pertence ao fazendeiro Joseph Moutran. A propriedade é cortada pela rodovia. Quando acertaram a saída da cidade aos sem-terra, disseram que iam para o terreno do DER. "Queremos garantias de que, amanhã, não seremos despejados de lá", exigiu, na ocasião, Mauro. O vereador Mauro Cunha (PSDB), irmão do prefeito, afirmou que tinha a garantia do governador. Caminhões e motoristas da prefeitura levaram as famílias até o terreno. A frota foi requisitada pela Polícia Militar, segundo o prefeito. Mas o local da descarga dos veículos, garantiu, foi indicado pelo coordenador do MST João Paulo Rodrigues, líder do acampamento. "Ele tinha ido antes ver essa área." A PM não acompanhou os sem-terra até o novo destino. Cunha disse hoje que se sentira autorizado a dar o aval à invasão de uma área do DER pelo próprio governador, que esteve na cidade uma semana antes do despejo. "O Covas disse para procurarmos uma área do governo que pudesse abrigar o acampamento por alguns meses." Fazendeiros da região e a PM também fazem confusão sobre a propriedade da gleba invadida pelo MST. O tenente Rodrigo Arena, do comando do policiamento, disse que a área pertencia ao DER. Para o fazendeiro Osvaldo Calcidoni, o terreno do DER fica a 200 metros do local invadido. Mas a assessoria do órgão disse que o DER só é proprietário das faixas de domínio da rodovia, também ocupadas pelos barracos.

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