Campinas, SP, 01 (AE) -Uma decisão do prefeito de Americana, Waldemar Tebaldi (PDT), provocou tumulto ontem (30) à noite na cidade. Irritado com a intenção do governo estadual de reativar a antiga cadeia municipal, ele determinou a retirada de todas as grades de proteção das celas e que o prédio fosse lacrado. Ao ser informada a Polícia Civil enviou cerca de quarenta agentes para o local a fim de impedir que a ordem fosse cumprida.
Autoridades municipais e da Polícia Civil fizeram uma reunião na própria cadeia, que fica no centro da cidade, concluída às 23 horas. Do lado de fora o clima era de tensão, com policiais civis e guardas municipais posicionados uns contra os outros. As grades só não foram retiradas porque, ao final do encontro, o delegado regional da Polícia Civil, Orlando Miranda Ferreira, comprometeu-se a respeitar um decreto municipal interditando a cadeia.
O prefeito disse ter resolvido fechar a cadeia porque o governo estadual não estava cumprindo um acordo pelo qual a prefeitura doaria uma área para a construção de uma nova unidade desde que a antiga fosse desativada. Na segunda feira, depois de uma rebelião, os presos foram transferidos às pressas para a nova cadeia, ainda não inaugurada. Na quinta-feira, porém, seis detentos foram levados de volta para a antiga cadeia.
"Foi a gota dágua", disse Tebaldi. Ao ser informado da devolução dos presos à antiga cadeia, o prefeito baixou um decreto determinando sua interdição. Para garantir que o imóvel não voltaria a abrigar criminosos, mandou 30 soldados da Guarda Municipal, munidos de britadeiras, retirar as grades das celas. "Mandei tirar as grades porque sem elas não tem como manter ninguém nesse lugar", afirmou Tebaldi.
Mesmo depois de o delegado regional ter se comprometido a cumprir o acordo, o prefeito não ficou satisfeito. Tebaldi disse que vai acionar sua equipe jurídica para instruir um processo de desapropriação das áreas onde estão as duas cadeias. "O governo não tem palavra, não cumpriu com o acordo e vamos pegar as áreas de volta", disse o prefeito. Segundo ele, não se trata de afronta nem de uma queda-de-braço entre os poderes estadual e municipal. "Existe uma lei municipal que proíbe a instalação de cadeias no centro da cidade", explica. "Só estou cumprindo a lei." O prefeito também já mandou cortar o fornecimento de água para a unidade antiga, alegando que o governo estadual não pagou a conta. A dívida, segundo ele, chega a R$ 80 mil.

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