Ao contrário do que espera o governo do Estado e já anunciado pelo próprio ministro José Serra (Saúde), o prefeito de Paranaguá Mário Roque afirmou que a epidemia de cólera que assola o município ‘‘ainda não está controlada’’. Mais 12 casos da doença foram confirmados ontem e já são 462 pessoas que foram contaminadas pelo vibrião colérico.
Roque decidiu cancelar um jantar regado a peixe que seria oferecido ontem à noite no Mercado Municipal de Paranaguá. O gesto seria uma demonstração de confiança à economia pesqueira da cidade. Por causa da epidemia, houve queda de 90% nas vendas de pescados na cidade.
O prefeito de Paranaguá justificou que ‘‘ainda é cedo’’ para se fazer o jantar, que estava marcado há uma semana. ‘‘A peixada será programada para um dia mais calmo. Se ela acontecesse ontem, ia dar uma conotação de que a coisa estava mais ou menos bem’’, disse.
Roque justificou ainda que vai esperar mais uma semana para decidir se decreta ou não estado de calamidade pública no município. ‘‘Pode criar uma situação pior. Se fosse decretado agora, poderia prejudicar ainda mais a economia da cidade. Não queremos marcar Paranaguá como a cidade da cólera’’, observou.
Mesmo com a decisão do prefeito de adiar o jantar, o governo do Estado resolveu apoiar uma peixada marcada para hoje, às 20 horas, na sede do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros. De acordo com a assessoria de Comunicação Social do governo, ‘‘a peixada é oferecida pelos proprietários de restaurantes de Paranaguᒒ. Na sexta-feira é a vez de Morretes sediar um almoço a base de pescados no restaurante Madalosso.
A decisão do governo paranaense de apostar nas peixadas rendeu ironias por parte do prefeito Mário Roque. ‘‘Eles deveriam fazer muito mais jantares porque tem bastante gente em Paranaguá que está passando fome’’, rebateu. Roque antecipou que se o cardápio causar algum problema de saúde aos participantes, ninguém poderá responsabilizá-lo. ‘‘Se acontecer alguma coisa, ninguém pode dizer que o prefeito foi o culpado’’, completou.
Para o secretário-chefe de gabinete do governo, Gérson Guelmann, as peixadas são uma maneira de demonstrar a retomada da vida normal em Paranaguá e outras cidades do litoral ‘‘sem preconceitos e sem estigmas’’.
Em Curitiba, 73 dos 97 casos suspeitos de cólera foram descartados pela Secretaria Municipal da Saúde. O restante continua sendo analisado em laboratório. ‘‘Mesmo com os resultados negativos dos exames é necessário manter a continuidade das ações preventivas. Enquanto estiverem sendo notificados casos da doença em Paranaguá, todas as suspeitas de diarréia que surgirem em Curitiba serão investigadas’’, anunciou o secretário municipal de Saúde, Luciano Ducci.

mockup