Belo Horizonte, 28 (AE) - O prefeito de Betim, Jésus Lima (PT), disse hoje que o confronto entre sem-teto e policiais militares, no qual morreram duas pessoas na segunda-feira, e a quebradeira promovida por manifestantes ontem na prefeitura foram ações de "forças de extrema-esquerda e de extrema-direita". Vítima de um atentado político em 1997, no qual foi atingido por quatro tiros disparados por pistoleiros, Lima se referia, principalmente, à Liga Camponesa e Operária, uma das entidades que coordenam as ações dos sem-teto, e a três vereadores, dois do PMN e um do PFL, que participaram da invasão da prefeitura, na terça-feira.
Os três foram filmados no momento em que quebravam vidraças da portaria principál do prédio e incitavam mais de 300 pessoas a fazer o mesmo."Trata-se de um movimento político contra nosso projeto de administração da cidade, que é de opção preferencial pelos pobres, através de uma união da extrema-esquerda com extrema-direita do município", afirmou o prefeito. Internet -Lima disse ainda que a Liga Camponesa colocou hoje, em um site na Internet, em inglês e português, informações sobre o confronto de segunda-feira, segundo as quais as mortes teriam ocorrido a mando dele e do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, de quem é aliado. "Pessoas pobres que realmente precisam de casa acessam a Internet ?", questionou o prefeito. "Isso prova o caráter político do movimento."
Sem acordo - Hoje dois promotores públicos voltaram a reunir-se com uma comissão de cinco dos sem-teto que ocuparam, há 44 dias, a Fazenda Bandeirinhas, e um representante da Prefeitura de Betim, dona do terreno, para tentar resolver o problema. Foi a segunda reunião entre as partes e, mais uma vez, não houve acordo.
Os sem-teto exigem a posse da fazenda Bandeirinhas, chamada por eles de "Vila Bandeira Vermelha" e onde mais de 600 pessoas estão acampadas. O Ministério Público propôs a imediata remoção dos sem-teto, sem separação do grupo, para outro local.Já a Prefeitura insistiu na mesma oferta feita desde o dia da invasão da área: doar 70 lotes urbanizados para parte dos sem-tetos, em bairros diferentes de Betim, de imediato, e, em 90 dias, assentar em outras regiões mais 130 famílias.
Para a fazenda Bandeirinhas os administradores de Betim planejam o desenolvimento de um projeto de urbanização para que a área possa receber 400 famílias já cadastradas em seu programa de habitação. "Ninguém vai deixar a Vila Bandeira Vermelha", disse, ao final do encontro, um dos representantes dos sem-teto. "Vamos continuar insistindo em uma negociação pacífica", respondeu o promotor Gergório Assagra.
Investigações - O Ministério Público, as Polícias Civil e Militar e até a Assembléia Legislativa de Minas estão investigando as mortes de dois sem-teto no confronto com a PM, segunda-feira. Os militares continuam contestando a versão dos sem-teto de que Erionides Souza, de 28 anos, e Elder Souza, de 24, foram mortos por tiros dados pelos policiais. Para o comando da corporação, os disparos partiram dos próprios invasores.
Amanhã o legista Emílio Epifânio, contratado pela Assembléia em um inquérito paralelo aos oficiais, deve divulgar seu laudo sobre as mortes.

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