Recife, 26 (AE) - O prefeito de Floresta (PE), no Sertão do São Francisco, Oscar Ferraz Filho (PSB), morto ontem (25) à noite, em frente a sua casa, com oito tiros de revólver, havia pedido escolta policial ao governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) no dia 30 de março. O pedido não foi atendido. O prefeito foi morto em uma emboscada por três homens em duas motocicletas quando chegava da missa, acompanhado da mulher, por volta das 18h10. Há suspeita de vingança, devido a uma rixa de cerca de 40 anos entre as famílias Ferraz e Novaes, que já provocou a morte de mais de 20 pessoas dos dois lados.
Dos três acusados de envolvimento no crime, um é da família Novaes - o menor A.G.N.L., de 16 anos, preso em flagrante - e outro é casado com uma Novaes - Ronaldo José de Siqueira, foragido, e apontado pela polícia como o mentor do homicídio. O terceiro, identificado apenas como Edílson e também foragido, é apontado pela polícia como o autor dos disparos.
No ofício ao governador, Oscar Ferraz Filho alegou que "na qualidade de prefeito e pelo destaque normal do cargo" ele era "o alvo preferido" para qualquer tipo de vingança, mesmo que seu nome não constasse em nenhum dos inquéritos policiais instaurados para apurar mortes de integrantes das duas famílias. Ao ofício, o prefeito anexou um outro, endereçado a ele pelo delegado do município, Epaminondas Tavares, sugerindo-lhe permanente proteção policial em "caráter emergencial". O delegado alerta para os rumores de "conflito armado" por conta do assassinato de Vital Bezerra Novaes, em 22 de março. Este homicídio quebrou um pacto de paz firmado entre as famílias há mais de dois anos e reacendeu o clima de tensão no município de Floresta, a 439 quilômetros do Recife e que faz parte do chamado Polígono da Maconha. Segundo a secretária estadual de imprensa, Terezinha Nunes, o governador não atendeu ao pedido do prefeito de Floresta porque a solicitação deveria ter sido feita à justiça. Ela explicou que, ao assumir o cargo, Jarbas Vasconcelos decidiu colocar nas ruas os 600 policiais militares que faziam a segurança de políticos em todo o Estado. Quem sentisse necessidade da escolta, deveria reivindicá-la à justiça e não ao governador.
O prefeito Oscar Ferraz Filho tinha a proteção de oito policiais (escala de 4x4) ao assumir a prefeitura. Esse número foi reduzido para quatro (escala de 2x2) e depois cortado, no início do ano, pelo novo governo.
Para investigar o assassinato do prefeito foi designado como delegado especial o ex-delegado de homicídios e atual delegado de roubos e furtos de veículos, Romero Leal. De acordo com o chefe da polícia civil, Manoel Carneiro, Floresta está com policiamento ostensivo e 80 homens - das polícias civil e militar - estão trabalhando na captura dos dois foragidos.
O menor A.G.N.L. foi levado hoje, sob custódia policial, ao Hospital da Restauração, na capital. Ele foi atingido com tiros no ombro, cotovelo e região lombar quando tentava fugir da polícia.
O prefeito Oscar Ferraz Filho tinha 42 anos e três filhos e pode ser o segundo prefeito de Floresta morto nos últimos 10 anos devido à briga das famílias. O outro foi Francisco Ferraz Novaes, que Ferraz Filho citou como exemplo no ofício encaminhado ao governador. "Ele poderia não ter sido executado caso tivesse, na época, a proteção adequada", disse.

mockup