Prefeito ameaça ir à Justiça contra inauguração de Angra 2
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2000
Por Felipe Werneck e Beatriz Coelho Silva 
Rio, 17 (AE) - O prefeito de Angra dos Reis, José Marcos Castilho (PT), ameaça ir à Justiça para condicionar a inauguração da usina nuclear Angra 2, prevista para março, ao bom estado da BR-101, no trecho entre o Rio (capital) e Santos, balneário paulista. Ele quer que o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) libere imediatamente uma verba de R$ 25 milhões para reparos em 34 pontos críticos da rodovia. Só depois, seria marcado o início do funcionamento da usina.
O próprio DNER reconhece o mau estado da BR-101 neste trecho, mas garante já ter licitadas as obras de reparo. A assessoria de Imprensa do órgão, no Rio, informou que os trechos mais críticos, no quilômetros 350 (no Rio, no bairro de Santa Cruz) , 520 e 565 (entre Angra e Parati, na divisa com são Paulo) já estão sendo atacados, em obras que chegam a R$ 1,3 milhão. O trecho do Rio sofreu afundamento em função das chuvas no início do ano.
Os R$ 25 milhões a que se refere o prefeito de Angra, (R$ 11 milhões para contenção de encostas e R$ 14 milhões para recapeamento do trecho) teriam sido liberados pelo ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, na sexta-feira, mas a autorização ainda não havia chegado até o fim da tarde de hoje. O DNER explica que a obras poderão começar imediatamente pois já estão licitadas.
Riscos - A operadora da usina (e também de Angra 1), a estatal Eletronuclear, garante que o mau estado da rodovia não põe em risco a população da cidade porque um eventual plano de fuga será levado adiante com a participação da Defesa Civil nos níveis municipal, estadual e federal. Além disso, segundo o superintendente de Relações Institucionais da empresa, Luiz Soares, Angra 2 já está totalmente concluída. Só falta uma autorização da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) para carregar o núcleo com combustível para a usina começar a produzir energia.
Segundo Soares, Angra 2 vai funcionar com uma potência inicial de 1,3 mega watts e vai ultrapasar os 8 milhões de megas/ano de Angra 1. Atualmente, esta usina contribui com 10% de toda a eletricidade gasta no Estado do Rio. Isso corresponde a 30% da energia produzida aqui, já que 70% do consumo vem de fora. Com o funcionamento de Angra 2, a produção de energia vai triplicar e a fonte nuclear vai contribuir com 30% de toda a energia consumida e 50% da produzida aqui. Cronograma - Mas o prefeito Castilho insiste ao menos na definição de um cronograma para a recuperação da estrada antes da inauguração. "O governo federal não está dando a importância necessária à Rio-Santos, faz o anúncio de verbas, mas nada acontece", afirmou. "Se a usina é importante para o País, a segurança da população de 100 mil habitantes de Angra, que chega a 200 mil no verão, também deve ser".
O DNER garante que uma eventual evacuação da cidade ocorreria rapidamente. Se necessário, a estrada seria fechada no sentido Rio/Santos sem maiores problemas, pois tem pouco movimento. Segundo o órgão, isso já acontece normalmente no fim dos feriados prolongados e não causa sequer engarrafamentos na Avenida Brasil, que dá acesso à BR-101 neste trecho.


