Prefeito afastado de Bauru nega se mandante de atentados
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de março de 1999
Por Jair Aceituno (especial para a AE) 
Bauru, SP, 02 (AE) - O prefeito afastado de Bauru, no interior de São Paulo, Antonio Izzo Filho (PPB), negou hoje ao delegado José Jorge Cardia, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), ser o mandante dos atentados praticados por seus guarda-costas e outros funcionários de confiança, que, entre dezembro e fevereiro de 1998, jogaram bombas incendiárias nas casas de quatro vereadores e no escritório de um advogado, atiraram nos carros de uma assessora parlamantar e de um técnico de som e, ainda, estariam planejando matar um juiz e um promotor que tomaram atitudes contra o prefeito. "Eu não dei dinheiro e nem mandei ninguém cometer nenhum crime; se o fizeram, foi por conta própria e têm de pagar por isso", disse o prefeito.
Na tarde e noite do domingo (28), a polícia prendeu os ex-seguranças do prefeito, Djalma Duarte Gonzaga e Roberto Carlos Thomaz, o pedreiro Alexandre Humberto dos Santos, o ex-administrador regional municipal Nivaldo Aparecido Silva, o motoqueiro Fábio Souza Fernandes e os assessores Lourival Dadamus e Francisco Roberto Ramos. Nivaldo e Alexandre afirmaram que agiam a mando de Roberto Thomaz e mediante pagamento do prefeito, que teria pago R$ 1 mil, por atentados. Na madrugada de 9 de dezembro, duas bombas incendiárias foram atiradas no telhado da casa do vereador Erlon Junqueira. Em 17 de dezembro, bombas idênticas foram jogadas nas varandas das casas dos vereadores Luiz Carlos da Costa Valle e Luiz Roberto Relvas. Em 8 de janeiro, colocaram fogo no escritório do advogado Sérgio Mangialardo, que acusava o prefeito de extorsão. No dia 22 de janeiro, uma bomba jogada na casa do vereador Rubens Spíndola, que preside uma comissão processante (CP) que visa a cassar o prefeito, incendiou o teto do carro dele. Em 18 de fevereiro, logo depois da sessão da Câmara, a assessora parlamentar Josete Dias Pereira - que serve ao vereador Lucrécio Jacques, da oposição - teve o carro atingido por quatro tiros.
O pedreiro e o guarda-costas assumiram a autoria desse e outros atentados e disseram que ainda deveriam matar o promotor Carlos Roberto Simioni, autor de vários inquéritos contra Izzo Filho e o juiz Mauro Ruiz Daró, que o afastou do cargo temporariamente para a apuração de denúncias de extorção que teria praticado contra a Empresa Circular Cidade de Bauru, concessionária de ônibus urbanos.
O delegado Cardia disse que esperava a negativa do prefeito, mas está convencido de que ele tem ligações com os autores dos atentados. Ele não adiantou quais seriam as providências contra o prefeito, mas disse que pedirá a prisão preventiva dos demais envolvidos, que confessaram os crimes.
O prefeito passou mais de quatro horas na delegacia. Além dos esclarecimentos sobre os atentados, também foi ouvido no inquérito que apura a extorção contra a empresa de ônibus, cuja proprietária diz lhe ter entregue R$ 1,5 milhão. Ele negou a prática do crime e apresentou documentos onde pretende provar que a denúncia é mentirosa mas, mesmo assim, o delegado Edson Cardia o indiciou por crime de concussão (estorsão praticada por funcionário público). As peças agora serão encaminhadas ao Tribunal de Justiça (TJ) do Estado, foro privilegiado a que têm direito os prefeitos.


