Prefeito admite chamar o Exército
Agência Estado

Dida Sampaio/Agência Estado
AjudaMoradores de bairro carente de Santa Maria da Boa Vista, em Pernambuco, disputam alimentos saqueados, doados pelo MSTDepois que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) orientou os moradores da periferia das cidades, ao longo da BR-428, a saquearem caminhões caso os prefeitos não distribuam cestas básicas nos bairros pobres, o clima ficou tenso na região do São Francisco. A Polícia Militar de Pernambuco reforçou o contingente nas estradas e transferiu parte do Grupo de Operações Especiais da Caatinga, sediado em Serra Talhada, para Santa Maria da Boa Vista e Lagoa Grande, onde o MST voltou ontem, a distribuir alimentos saqueados.
Hoje termina o prazo de 48 horas dado pelo MST ao prefeito de Lagoa Grande, Jorge Garziera (PSB), para que distribua cestas básicas às 200 pessoas cadastradas pelo movimento. O mesmo tempo foi concedido ontem ao prefeito de Santa Maria da Boa Vista, Leandro Rodrigues Duarte (PFL), depois que o MST distribuiu alimentos para os moradores de vários bairros pobres da cidade. ‘‘Se o comércio daqui é pequeno, dirijam-se às estradas e saqueiem carretas com alimentos’’, orientava o coordenador de articulação do MST na região, Alício Reis.
‘‘Se preciso for, vou chamar o Exército para tomar conta da cidade, mas não vou me tornar refém’’, afirmou Jorge Garziera. Até o fim da tarde de ontem, o prefeito não havia conseguido reunir alimentos em número suficiente para distribuir entre os moradores cadastrados pelo MST.
Terminou sem acordo a reunião entre representantes da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Em mais uma rodada de negociações, que terminou por volta das 18 horas de ontem, em Recife, o governo federal reafirmou a intenção de não aceitar a cota de dois milhões de inscritos nas frentes de emergência, como quer a Contag. O governo quer cadastrar um milhão.

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