Prefeito acusado de dirigir empresa privada poderá perder o mandato
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segunda-feira, 07 de fevereiro de 2000
por Antônio José do Carmo 
São Paulo,7 (AE) - A lei orgânica do município de Mirandópolis, distante 630 quilômetros da Capital, a exemplo de muitas outras em todo país, proíbe que o prefeito ocupe cargo de direção em empresa privada. Mas o prefeito, Jorge Faria Maluly (PFL) é um dos mais importantes diretores da destilaria de álcool Alcomira, de propriedade de sua família. Antes de assumir o cargo em janeiro de 97, Maluly se desincompatibilizou apenas de duas empresas: a construtora J.F.M. que continua pertencendo a sua esposa e a rádio clube de Mirandópolis, a qual era proprietário de 70% das ações.
A denúncia foi apresentada oficialmente ao Ministério Público da comarca pelo aposentado Luís Oscar Ribeiro, morador da cidade há várias décadas. O promotor João Carlos Talarico disse hoje que ainda não teve tempo de ler o pedido de instauração de inquérito civil apresentado por Ribeiro no último dia 2 de fevereiro, mas a notícia do fato publicada em jornal regional está agitando os bastidores políticos da cidade.
Além do prefeito, Ribeiro considera que mais dois políticos são coniventes com a situação irregular e estão sujeitos a punições. São os vereadores Carlos Alberto Ferreira (PFL) que presidiu a câmara nos dois primeiros anos do mandato de Maluly e o atual presidente Hiroiti Ijishi (PPB). Pela lei orgânica, caberiam a eles declarar vago o cargo do prefeito e empossar o vice.
Ferreira que é funcionário da usina de Maluly, afirmou hoje desconhecer o estatuto da empresa que trabalha e por isso não tinha condições de afirmar se o prefeito está ou não infrigindo a lei. Já Ijishi, presidente da câmara, disse ter pego "o bonde andando". Para ele "tudo estava aparentemente correto". Entre os documentos anexados ao pedido de instauração de inquérito, Ribeiro incluiu uma certidão da Junta Comercial de São Paulo, duas atas de assembléias da usina de álcool e um documento onde o prefeito nomeia o ex-presidente da câmara Carlos Talarico para representá-lo numa ação trabalhista, na condição de chefe do departamento pessoal de sua empresa.Segundo os documentos, Jorge Faria Maluly é diretor superintendente da Alcomira que emprega até 2 mil pessoas durante a safra da cana, e seu pai, o deputado federal Jorge Maluly Neto é diretor presidente.
O prefeito Faria Maluly não quis dar nenhuma declaração sobre o caso, quando procurado pela manhã. "Só vou dizer alguma coisa quando tomar conhecimento da denúncia e dos documentos", disse o prefeito.


