São Paulo, 11 (AE) - O prefeito Celso Pitta acusou hoje o vice Régis de Oliveira (ambos sem partido) de tentar derrubá-lo, para assumir seu lugar. "Ele deixa transparecer muito claramente pretender o cargo de prefeito sem o voto direto." Além disso, Pitta sugeriu que Régis deveria pensar em deixar o cargo de corregedor do Serviço Público Municipal. "Defender interesses contra a Prefeitura e estar no cargo de corregedor é uma decisão dele." Segundo assessores do Palácio das Indústrias, Pitta deve, mesmo, demiti-lo do cargo na corregedoria, caso ele não peça para sair.
O prefeito não gostou nada das declarações de Régis, ontem (10), na Câmara. Em seu depoimento à comissão que analisa o segundo pedido de impeachment de Pitta, Régis afirmou que a Prefeitura deixou de repassar à educação o mínimo determinado pela Lei Orgânica do Município: 30% da receita tributária. O vice foi secretário da Educação no primeiro semestre de 1997. "Os repasses não ocorreram, tanto que cobrei por meio de ofícios enviados à Secretaria de Finanças", disse aos vereadores.
Pitta, em vez de fazer esse tipo de declaração, Régis deveria concentrar-se no trabalho na corregedoria. "Todo mundo sabe que o vice-prefeito gosta de falar, o que, aliás, não é muito de acordo com o cargo de corregedor." Para criticar Régis
o prefeito repetiu até frases de seu antecessor e ex-padrinho político Paulo Maluf. "Em vez de amaldiçoar a escuridão, as pessoas, como o vice-prefeito, deveriam acender uma vela."
Passado - Régis foi designado corregedor pelo próprio prefeito. Pitta reconheceu que o vice-prefeito reúne qualidades para o cargo e sua indicação não deixou dúvidas quanto à isenção da Prefeitura nas investigações de denúncias de irregularidades na administração. "Tanto que ele fala o que fala."
A discussão sobre o repasse mínimo à educação é questão superada, segundo Pitta. Mas a complicada relação que mantém com o vice desde que assumiu a Prefeitura tem muito que ver com isso. Em agosto de 1997, Pitta "despejou" Régis do Palácio das Indústrias.
À época, assessores admitiram tratar-se de uma resposta às críticas feitas pelo vice, após sair da Secretaria da Educação, como o ofício ao secretário das Finanças, José Antônio de Freitas, sobre as penalidades por não investir 30% da receita tributária no setor. Em 1998 Régis apoiou os vereadores "rebeldes" e disse estar apto para assumir qualquer cargo na administração municipal. A Assessoria de Imprensa do vice-prefeito informou que ele não pretende comentar as declarações de Pitta.

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