Prefeita mantém sede do Executivo fechada; líderes sem-terra entram no 3º dia de greve de fome
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terça-feira, 03 de agosto de 1999
Por João Naves de Oliveira, especial para a AE 
Campo Grande, 04 (AE) - A prefeita de Angélica (MS), a 260 quilômetros de Campo Grande, Marieta Pereira de Souza (PSDB)
afirmou hoje que vai manter a sede da prefeitura fechada por 30 dias, conforme o decreto de estado de emergência por ela expedido e publicado na segunda-feira no Diário Oficial. Marieta Souza disse que está satisfeita com as medidas que adotou. O prédio foi invadido e danificado por trabalhadores rurais sem-terra no dia 21 após a prefeita recusar-se a receber os líderes do movimento.
Hoje, os cinco líderes sem-terra presos desde o dia 28 na Cadeia Pública de Nova Andradina (MS), entraram no terceiro dia de greve de fome. Pela manhã o diretor do presídio e titular do 1º Distrito Policial, Alfredo Faria, solicitou a presença de uma equipe médica para examinar os presos, entre eles o vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Paulo César Farias. Os outros são Antônio Castilho dos Santos, Antônio Pedrini, Arnaldo Urbino da Silva e Olavo Oliveira Maia. Todos estão com a saúde ligeiramente abalada devido ao jejum.
Os cinco foram presos por determinação da juíza da Comarca de Angélica (MS), Eliane de Freitas Lima Vicente, sob a acusação de perturbação e ameaça a ordem pública. Na ocasião, quase 600 sem-terra depredaram a sede da prefeitura municipal de Angélica. A Defensoria Pública ingressou com um pedido de relaxamento das prisões, porém, a juíza considera que ainda não cessou a ameaça a ordem pública. Quase 300 sem-terra estão acampados na porta da cadeia há dois dias, exigindo a libertação dos líderes. O movimento, dizem, é pacífico.
Calma - Em Angélica a situação é calma, segundo a prefeita. Mas as ameaças de novas ações violentas continuam, afirma. Marieta Souza disse que pelo menos três vereadores, dois empresários e dois funcionários da prefeitura, demitidos por ela, estão fomentando os boatos sobre novos atos de violência dos sem-terra na cidade. Os nomes são mantidos em sigilo e só serão revelados em inquérito instaurado pelo Ministério Público para apurar a depredação do prédio da prefeitura.


