Prefeita decreta estado de emergência e fecha sede do Executivo por causa de sem-terra no MS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de agosto de 1999
Por João Naves de Oliveira, especial para a AE 
Campo Grande, SP, 03 (AE) - Alegando insegurança com as movimentações de trabalhadores sem-terra na cidade de Angélica (MS), a 260 quilômetros de Campo Grande, a prefeita Marieta Pereira de Souza (PSDB) decretou estado de emergência no município e fechou a sede da prefeitura por 30 dias. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado de hoje.
"A invasão e depredação do imóvel onde funciona a prefeitura municipal resultou em enormes prejuízos a municipalidade, que não tem condições de, com recursos próprios, recuperar os danos", assinala o texto. Ressaltando, ainda, que a situação no município é grave; que as pessoas sente-sem ameaçadas pelos sem-terra e obrigadas a fecharem suas casas e comércio "com receio invasão e saque". Hoje pela manhã, em Campo Grande, a prefeita afirmou que está sendo ameaçada de morte. Disse que já solicitou proteção pessoal na Secretaria Estadual de Segurança Pública. Durante o período de emergência, apenas o gabinete da prefeita e as secretarias de Administração e Finanças funcionarão em um prédio fora do Paço Municipal. Invasão - A sede do executivo municipal de Angélica foi invadida por cerca de 600 sem-terra no dia 21, após Marieta negar-se a receber uma comitiva de trabalhadores rurais para negociar assistência médica e educação para 320 famílias acampadas na Fazenda Guassu. Na ocasião, o Ministério Público considerou que a decisão dos sem-terra era uma ameaça à segurança pública local
uma vez que culminou com a depredação do prédio da prefeitura.
Por causa disso, o MP ingressou na Justiça com um pedido de prisão dos líderes do movimento. O pedido foi atendido pela juíza Eliane de Freitas Lima Vicente, que decretou a prisão preventiva do coordenador da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Paulo César Farias, além dos lideres dos sem-terra Antônio Castilho dos Santos, Antônio Pedrini, Arnaldo Urbino da Silva e Olavo Oliveira Maia. Todos estão detidos na Cadeia Pública de Nova Andradina, no extremo do Estado.
Hoje, dezenas de sem-terra foram para a frente da cadeia. Uma comitiva da CUT esteve no local e encerrou o movimento, garantindo tranquilidade para que a juíza possa expedir sua dcisão. Os manifestantes devem ficar presos até sexta-feira para que todos sejam interrogados. A CUT distribuiu uma nota lamentando a atitude da prefeita, afirmando que os sem-terra queriam apenas ser ouvidos, mas foram repelidos por dezenas de soldados fortemente armados.


