Prefeita acusa Novoeste de transportar sem segurança
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domingo, 11 de julho de 1999
Por Antônio José do Carmo 
Andradina,SP (12)- A empresa americana Novoeste, que há três anos arrendou mais de 1,2 mil quilômetros de estrada de ferro da Rede Ferroviária Federal de Bauru (SP) a Corumbá (MS), ainda não explicou as causas do descarrilamento e explosão de dois vagões carregados com óleo diesel ocorridos no último dia 7 de julho em Andradina, a 650 quilômetros da Capital.
A prefeita municipal Edna Brito (PRP) está acusando a companhia de colocar sua cidade em risco com o transporte de cargas perigosas sem manter a conservação dos trilhos. As precárias condições, segundo ela, foram responsáveis pelo descarrilamento da composição.
Para a prefeita, a perícia do maquinista evitou uma tragédia de proporções ilimitadas na semana passada. O trem saiu das linhas de bitola estreita quando passava pelo centro comercial e percorreu por quase um quilômetro, andando sobre pedras e dormentes. Quando as quatro locomotivas que arrastavam os 80 vagões pararam na zona oeste do município, os tanques que transportavam combustível inflamável tombaram, caíram numa ribanceira e causaram incêndio que consumiu mais de 100 mil litros de óleo diesel e feriu quatro pessoas.
O deputado estadual Edson Gomes (PPB) visitou hoje o local do acidente, onde o tráfego já foi restaurado e disse que vai solicitar do governo, explicações mais detalhadas sobre o cumprimento das promessas de investimento que a empresa fez quando assumiu a administração da ferrovia. Segundo Gomes, tudo que se viu até agora foi o aumento de 40 para 100 no número de vagões arrastados pelas locomotivas, enquanto a precária condição dos trilhos só piorou nos últimos anos. "Dormentes quebrados, trilhos soltos e gastos provocam constantes descarrilamentos", disse Gomes.
O fazendeiro Norberto Vicente, que mora em Andradina, afirmou que em sua fazenda no município de água Clara (MS), a Novoeste mantém um cemitério com dezenas de vagões que todos os meses descarrilam e viram sucada. Vicente disse que nos tempos da Rede Ferroviária Federal havia troca de trilhos e dormentes. Segundo o fazendeiro, com a Novoeste a ferrovia "está se acabando dia-a-dia".
Em Bauru, a assessoria de imprensa da Novoeste informou que a privatização foi realizada em julho de 96 e que em junho de 98, a administração do trecho foi incorporada à holding Ferropasa, a mesma que cuida da Ferronorte. Ainda conforme a mesma fonte, a nova diretoria tomou posse há menos de dez dias e ainda não tem condições de informar quais são os planos de investimentos na conservação e modernização da estrada.


