Preenchedores sintéticos melhoram auto-estima de portadores do HIV
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domingo, 10 de setembro de 2006
Flora Guedes<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Desde que foi introduzido no Brasil, em 1996, o tratamento anti-retroviral conseguiu reduzir significamente o número de mortes entre portadores do vírus HIV e aumentou a sobrevida para mais de 15 anos. Mas o uso dessas medicações pode provocar, entre 18 a 30 meses, um efeito colateral chamado lipodistrofia em 49% desses pacientes.
A síndrome lipodistrófica é a redistribuição da gordura corporal, que torna o abdome volumoso e cria uma corcunda, ou provoca perdas periféricas, desaparecendo a gordura da face, dos braços e das pernas. Essas alterações metabólicas colaboram para estigmatizar ainda mais os soropositivos, podendo afetar a adesão delas ao tratamento com anti-retrovirais.
Recuperar a qualidade de vida e auto-estima se torna um desafio para esses pacientes, que encontram no preenchedor sintético uma forma de recuperar os contornos faciais. Estima-se que 18 mil soropositivos apresentem lipodistrofia facial e precisem do tratamento. ''O impacto psicossocial é muito grande. O paciente fica com o corpo deformado. Além disso, a lipodistrofia altera as taxas de colesterol e triglicerídios, tornando alguns pacientes diabéticos'', informa o consultor em lipodistrofia para o Programa Nacional de DST/Aids, Márcio Serra.
O consultor acrescenta que a doença ainda é causada por fatores genéticos e infecção do próprio HIV. ''Para avaliar o preenchimento facial, um grupo de médicos em São Paulo e Rio de Janeiro criou um protocolo de pesquisa, em 2003, com 200 pacientes'', conta Serra. Foram levantados dados que serviram de base para implantar o tratamento com preenchedores no serviço público, que já foi aprovado em lei, em 2004 - que precisa ser regulamentada.
O metacrilato (polimetilmetacrilato) é o preenchedor sintético aprovado pela Agência Nacional de Saúde Sanitária (Anvisa) para reconstrução dos contornos da face em soropositivos. O produto já era utilizado nas clínicas de estética para suavizar rugas, marcas de expressão e rechear lábios, há mais 15 anos. ''Ficou constatado que a substância provoca menos de 1% de efeito adverso, o mesmo índice encontrado com outros preenchedores'', explica Serra.
O protocolo destacou o custo relativamente baixo e que poderia ser multiplicado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para reparar uma lipodistrofia facial grave, gasta-se em torno de R$ 800,00 a mil reais de metacrilato. Para a mesma situação, outro preenchedor custaria R$ 9 mil.
Estudos mostraram que embora as pessoas não seguissem à risca as recomendações pós-operatórias, esta postura não influenciava no resultado do tratamento com metacrilato - uma substância biocompatível, de aplicação fácil, fabricada no Brasil e com efeito definitivo.


