São Paulo, 07 (AE) - A construção do São Paulo Tower pode dar novo impulso ao processo de requalificação do centro que, por enquanto, ainda é tímida. Ao contrário de outras cidades, como Recife (PE) e Salvador (BA), em São Paulo ainda não foi desenvolvido um projeto de intervenção urbana e recuperação de toda a região central.
O Procentro foi criado em 1993 com o objetivo de aumentar a participação do poder público na recuperação do centro da cidade. Porém, até o momento as mudanças ainda são tímidas. A maior parte das ações do Procentro resume-se a leis de incentivo para pessoas interessadas em construir ou recuperar edifícios.
O presidente do Procentro, Sanderley Fiúsa, reconhece que apenas dispositivos legais não são suficientes para reverter totalmente a degradação da região central de São Paulo. Ele também defende uma grande intervenção urbana na área. "Se nada for feito a situação pode até piorar, pois a infra-estrutura urbana deve estar adequada à instalação das novas empresas", diz Fiúsa.
Ele espera um financiamento de cerca de US$ 200 milhões, para investir em melhorias da paisagem urbana e obras na região central, como a revitalização do Parque D.Pedro II.
O prefeito Celso Pitta (sem partido) destaca projetos de recuperação do centro, como a lei da Operação Urbana Centro, a criação de linhas de trólebus interligando os terminais de ônibus do centro e a remoção de ambulantes.
Muita coisa, porém, deixou de ser feita, como o projeto de recuperação dos calçadões, em estudo desde a criação do Procentro, e a transferência da zona cerealista para outro local. "A zona cerealista sairá com a construção do São Paulo Tower", diz Fiúsa.
"Todo a área em torno do complexo deve ser modificada", acredita o diretor-executivo da Associação Viva o Centro, Marco Antonio Ramos de Almeida. "O impacto será muito grande, pois serão necessários outros empreendimentos menores para dar suporte ao São Paulo Tower", diz Almeida.
Para ele, a construção de um edifício de 103 andares na região do Pari vai de encontro à tese da Associação de que o desenvolvimento de um novo centro deve ser direcionado para a região norte da capital. "A região possui terrenos baratos e está na rota de locais importantes, como o Anhembi e o Aeroporto de Cumbica", explica o diretor da Viva o Centro.

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