Prédio desaba no Rio e 4 desaparecem
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domingo, 22 de fevereiro de 1998
Agência Estado 
France PressePela vidaBombeiros vasculham os escombros na esperança de encontrar sobreviventes: trabalho difícil, feito com sonar O desabamento de parte de um prédio de 22 andares na Barra da Tijuca, na zona Oeste do Rio, às 4h25 de ontem, deixou quatro pessoas desaparecidas e acabou com o Carnaval de pelo menos 352 famílias. Elas ficaram sem ter onde morar até que a Defesa Civil Municipal, que interditou a área, libere os dois prédios que formam o condomínio Palace. Pode haver ainda outras quatro vítimas de uma só família. O médico Milton Luís Martins, a mulher e um casal de filhos estão desaparecidos desde às 22 horas de sábado. Entretanto, eles não foram vistos no prédio antes do acidente.
Segundo o coronel Nilton Barros, coordenador da Defesa Civil Municipal, o desabamento deve ter sido provocado pela destruição de um dos pilares de sustentação das duas colunas dos 44 apartamentos (01 e 02 do bloco 2) que caíram. A responsável pela obra foi a Sersan Construtora, de propriedade do deputado federal Sérgio Naya (PPB-MG), acusada pela maior parte dos moradores de ser responsável pelo acidente. Vários disseram que a coluna danificada ficava oculta por um tapume que servia de depósito de material da empresa.
Cerca de 30 pessoas ainda estavam no prédio no momento da queda. A tragédia só não foi maior porque grande parte dos moradores já havia saído de casa. A Defesa Civil - acionada depois que as pessoas foram, literalmente, colocadas para fora de suas camas pelo estrondo e forte abalo na estrutura do edifício à meia-noite e meia - havia interditado o prédio às 4 horas. A secretária de Urbanismo da Prefeitura, Hélia Nacif Xavier, que esteve no local, afirmou que o prédio não tinha o habite-se, concedido pela prefeitura, e, portanto, estava ocupado ilegalmente pelas pessoas.
Ela disse que a responsabilidade pela ocupação do prédio é da construtora, que, segundo a secretária, já foi multada diversas vezes. Os moradores que começaram a ocupar o prédio, por volta de setembro de 1996, antes de a construção estar concluída, garantem que fizeram isso de comum acordo com a Sersan. O edifício chegou a ser interditado por três meses no final de 1996 por causa de um acidente que culminou com a morte do bombeiro hidráulico Paulo Pereira Ramos.
Os moradores Leonel Benevides, de 18 anos; Fátima Ferraz, 30 anos; Gilberto Manescky e um engenheiro identificado apenas como Gerardi, segundo o Corpo de Bombeiros, já haviam saído do prédio e, quando voltaram para buscar alguns pertences em seus apartamentos, foram pegos de surpresa pelo desabamento. Até o final da tarde de ontem, o Corpo de Bombeiros ainda não havia encontrado nenhuma deles entre os escombros.
Não há garantias de que a família do médico Milton Luis Martins, de 42 anos, estivesse no prédio. Segundo sua irmã, Eliane, que mora em São Paulo, a última notícia de Milton, de sua mulher, Rosângela Quaresma, 35 anos, e de seus filhos - Luísa (filha do primeiro casamento do Milton), de 13 anos, e Nílton, de três anos - é de sábado à noite. Às 22h, Milton falou com a irmã Eliane pelo telefone e disse iria ficar em casa. Lerina de Alencar Leão, tia de Luísa, esteve no prédio, ontem à tarde, com a foto da menina que não foi vista durante a confusão de madrugada.
Ontem, os bombeiros estavam procurando as pessoas apenas com um sonar, para tentar identificar algum sinal de vida entre os escombros. Nenhuma parte dos destroços podia ser removida, pois havia risco de novos desabamentos. Os pilares restantes do prédio danificado estavam apoiados nos escombros das áreas de serviços, quartos de empregada, banheiros e varandas dos 44 apartamentos afetados. A pilha de escombros chegava ultrapassava 10 metros de altura.
O coronel Barros, da Defesa Civil, informou que a prefeitura contratou a empresa de estruturas metálicas Stub para fazer uma contenção do prédio. Os escombros não podem ser retirados até que se apóie o prédio, afirmou. Só poderemos procurar as pessoas depois que isso for feito. Ele disse, entretanto, não acreditar na possibilidade de as pessoas desaparecidas estarem vivas. Seria uma felicidade se isso ocorresse, mas não acredito nessa hipótese, disse.


