Recife, 27 (AE) - O bloco B do Edifício Enseada de Serrambí, no bairro de Jardim Fragoso, em Olinda, desabou hoje, às 17h10, ferindo pelo menos 12 moradores. Uma menina aparentando 6 anos de idade teve a perna amputada. Até as 21h30 haviam sido resgatadas com vida cerca de 10 pessoas e outras duas haviam sido localizadas sob os escombros. Não estava descartada a possibilidade da existência de vítimas fatais.
O bloco tinha 8 apartamentos em quatro pavimentos -dois por andar, incluindo o térreo- onde moravam 28 pessoas. Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Luiz Gonzaga Dutra, 150 homens da Polícia Militar, bombeiros, defesa civil e prefeitura de Olinda iriam continuar revolvendo os escombros, entrando pela madrugada, até ter a certeza de não haver mais ninguém a ser retirado do local.
Este foi o segundo desabamento, em menos de dois meses, ocorrido em Jardim Fragoso. Em novembro, caiu a parte de trás do Edifício Ericka, a 600 metros do Enseada de Serrambí, matando quatro pessoas. O diretor da defesa do civil do Estado, coronel Wilson Rodrigues, disse não haver, pelo menos por enquanto, evidências de conexão entre os dois desabamentos. O Ericka também caiu abruptamente, mas não apresentava rachaduras, ao contrário do bloco B do Enseada, que tinha uma rachadura larga, no andar térreo, medindo cerca de um metro, segundo o porteiro, Ricardo Andrade. Toda a área do bairro era anteriormente mangue. O CREA começa a perícia do prédio amanhã (28).
O bloco A, com 16 apartamentos, na parte frontal do prédio, é uma construção independente do bloco B, que ficava na parte de trás. O Enseada de Serrambí foi construído há nove anos pela Construtora Conipa, de acordo com Valdemir Agnelo Pires, morador do 104-A. Os apartamentos têm dois quartos, sala, cozinha e dependência de empregada. A energia elétrica foi cortada por determinação da equipe de resgate e, com medo de novo desabamento, os moradores do bloco A não entraram no prédio.
Manoel Feliciano de Medeiros Júnior, que mora próximo ao edifício, ajudou a socorrer quatro pessoas, entre elas a menina que teve a perna amputada, e duas pessoas de uma mesma família, Monica, de cerca de 40 anos e sua mãe Euneca, japonesa, em torno de 80 anos. "Aparentemente elas tinham fraturado as pernas, mas aparentavam estar bem", afirmou ele.

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