Nove famílias ficaram desabrigadas com o desabamento de um prédio de quatro andares, ontem de manhã, na rua Carolina Machado, em Osvaldo Cruz, na zona norte do Rio. Interditado no domingo à tarde pela Defesa Civil, após o trincamento de duas colunas, o edifício veio abaixo às 9h38 de ontem, sete minutos antes da chegada de uma equipe da Secretaria Municipal de Urbanismo, que faria uma vistoria para avaliar a possibilidade de escoramento da estrutura.
No térreo, funcionavam duas lojas - uma de materiais de construção e outra de equipamentos eletrônicos -, um botequim e um cabeleireiro. Apesar da confusão e correria no momento do desabamento, ninguém ficou ferido.
O alarme para a desocupação dos apartamentos foi feito ao meio-dia de domingo, pelo comerciante Cosme Guedes Perez, de 44 anos, morador desde 1994. ‘‘Há três anos que convivemos com uma grande infiltração na estrutura e o descolamento de piso na base do prédio, por causa de um vazamento d’água na cisterna’’, afirmou. ‘‘Assisti a queda disso aqui todos os dias.’’
Originalmente de dois andares, o prédio - construído há 36 anos -recebeu mais um andar e a cobertura em uma obra realizada há nove anos, que pode ser uma das causas do desabamento.
Perez morava como o sobrinho de 17 anos e deve ficar na casa de parentes. Ele contou que, no domingo, sentiu o prédio balançar enquanto tomava banho, mas achou que estivesse tonto. Depois, quando desceu ao bar, viu que uma coluna havia cedido. Nesse momento, pediu a todos que descessem de seus apartamentos e acionou a Defesa Civil. Dez minutos depois, constatou que outra coluna havia afundado cerca de cinco centímetros. ‘‘Foi o melhor natal da minha vida, falo de coração, porque saí vivo, ajudei a todos e ninguém se machucou’’, declarou. Ele lamenta a perda de R$ 1.500, jóias e materiais eletrônicos, que agora estão em meio aos escombros.
Segundo moradores, o prédio foi contruído por um engenheiro civil, conhecido por João, que já teria falecido. ‘‘O estado era muito ruim, mas seria prematuro fazer um diagnóstico da causa’’, disse o coordenador da Defesa Civil, coronel Nílton Barros. O chefe do departamento de vistoria da Secretaria Municipal de Urbanismo, Marcel Iglicky, não descarta as hipóteses de sobrecarga, problemas no solo ou infiltração na base do prédio como causas do desabamento.Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Natal sem casaMoradores perceberam, no domingo, que colunas haviam cedido; chamaram a defesa civil e todas as famílias foram retiradas do prédio. Ontem ele desabou mas não feriu ninguémAgência Estado

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