Agência Estado
Do Rio
Depois de uma hora e meia de tensa negociação, cerca de 70 sem-teto do Movimento Nacional de Luta Pela Moradia deixaram na manhã de ontem o edifício Plínio Canhede, da Justiça Federal, no centro do Rio, ocupado desde o dia 24. A reintegração de posse, concedida à União pela juíza da 3ª Vara Federal Criminal, Cláudia Valéria Bastos Fernandes, foi garantida por 50 homens das Polícias Militar, Federal e pelo Batalhão de Choque. O advogado do movimento, André de Paula, foi preso por desobediência à ordem judicial. Ele se recusou a abrir o cadeado que impedia a entrada da polícia.
Sem ter para onde ir, os ocupantes levaram colchões, geladeiras e fogões para a calçada em frente ao prédio. Muito emocionados, alguns sem-teto ameaçaram resistir à retirada, mas desistiram depois de negociar com a chefe do setor de operações da Delegacia de Ordem Política e Social (Delops), delegada federal Carla Dolinski.
Chorando muito, a desempregada Joana Pereira Gomes, de 33 anos, pedia aos policiais para que mulheres e crianças pudessem ocupar pelo menos o térreo do edifício, mas a determinação da Justiça era para que o prédio fosse esvaziado e lacrado. ‘‘Eu não quero ficar na rua’’, disse. Joana vivia com o filho de 14 anos numa garagem para motos, mas foi expulsa.
Um dos líderes do movimento, que se identificou como Jesus, cobrava a presença do governador Anthony Garotinho. ‘‘Onde está o pastor eleito do Rio’’, indagava, referindo-se à religião do governador, que é evangélico.
O comandante do 13º Batalhão da Polícia Militar (Praça Tiradentes), tenente-coronel Hélio Luiz Azevedo Neves, se ofereceu para intermediar acordo com a prefeitura, a fim de levar famílias com crianças para um abrigo, mas os ocupantes recusaram. Eles devem seguir para o prédio 48 da Rua do Riachuelo, no centro, também invadido por sem-teto.
O edifício Plínio Canhede pertence ao Ministério da Saúde e foi cedido à Justiça Federal em novembro de 1996. Desde então está abandonado. Há processos do extinto Instituto Nacional de Assistência e Previdência Social (Inamps) e aparelhos de microfilmagem abandonados nos doze andares do prédio. Um problema na sisterna causou inundação de 2,8 metros no subsolo. O local vinha sendo ocupado por mendigos, que praticavam pequenos roubos nas redondezas.

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