São Paulo, 3 (AE) - Além do aumento de 10% a partir de amanhã (4), os preços dos carros vão subir novamente no dia 17 por conta do repasse da elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A informação é do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, que está retornando de Brasília, na sua última tentativa de fazer o governo rever a decisão de suspender o acordo emergencial, que concedeu benefícios fiscais.
O governo decidiu não renovar o acordo emergencial, fechado há dois meses, porque as montadoras decidiram aumentar os preços. Um dia depois de publicar anúncios de página inteira nos principais jornais, explicando os motivos da elevação de preços, o presidente da Anfavea demonstrou irritação, ao dizer que o contrato com o governo não condicionou, "em nenhum momento", a renovação do acordo a congelamentos de preços.
"Não foi o combinado", lembrou, insistindo que a indústria amarga aumentos de custos que vão de 6% a 40% por conta de elevação de preços de matérias-primas e componentes, notadamente em razão da mudança cambial.
Como a suspensão do acordo significa a volta do IPI anterior, Pinheiro Neto explicou que haverá novo reajuste a partir da segunda quinzena, a partir de quando as montadoras começarão a recolher o IPI mais alto. Os reajustes de amanhã representam apenas os aumentos de custos com matéria-prima e componentes.
As alíquotas do IPI vão subir de 5% para 10% no carro popular e de 17% para 25% e 30% nos modelos médios, dependendo da versão. Os carros de luxo continuarão recolhendo alíquota de 35%, que foi mantida no acordo.
No dia 17, portanto, haverá mais um aumento médio de 5% a 8%, dependendo do modelo. As listas serão distribuídas aos concessionários amanhã, mas a indústria ainda está fazendo contas porque, em razão da baixa demanda, é possível que os aumentos não sejam totalmente repassados.
Pinheiro Neto lembrou ainda que ao fazer as contas da arrecadação o governo deve levar em conta toda a cadeia automotiva - "desde a compra da matéria-prima"- e não somente os volumes arrecadados na compra final do veículo. "O acordo emergencial foi um boi de filé mignon que beneficiou a todos", destacou.

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