São Paulo, 03 (AE) - A inflação do paulistano poderia ter sido praticamente a metade este ano se não houvesse pressão dos reajustes das tarifas públicas e de itens administrados pelo governo. A afirmação é da coordenadora do Índice do Custo de Vida (ICV), do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cornélia Nogueira Porto. O ICV de julho, divulgado hoje, mostra uma inflação acumulada no ano de 5,48%, pressionada, principalmente, pelos aumentos de tarifas públicas (13,62%) e dos itens oligopolizados - seguros e convênios médicos e medicamentos - (11,74%). "Se considerarmos apenas os preços do mercado estaríamos com inflação de 2,89% no ano", explica Cornélia.
Dentre os itens que têm seus preços reajustados pelo governo, os que mais pressionaram a inflação este ano, além dos transportes (12,27%), foram o gás de botijão, com alta de 38,09% nos sete primeiros meses do ano, tarifas elétricas (17,60%) e água e esgoto (11,62%). Dos itens oligopolizados, destaque para assistência médica, que teve alta de 6,97% no período, e medicamentos e produtos farmacêuticos (+14,25%).
Na avaliação da coordenadora do ICV-Dieese, o atual quadro recessivo da economia está sendo agravado pelos aumentos do governo. Dados do Dieese apontaram taxa de desemprego de 19,9% em junho e queda no rendimento médio dos ocupados de 6,4% no período de junho de 98 a maio de 99. Cornélia explica que as tarifas públicas são bens de serviços de primeira necessidade e, por isso, dificilmente são substituídas ou têm seu consumo reduzido. Com isso, acrescenta ela, ocorre uma transferência de demanda dos setores concorrenciais para os administrados pelo governo.
De acordo com a pesquisa, a população com menor renda familiar, com poder aquisitivo médio de R$ 934,17, foi a que mais sofreu pressão no mês de julho. Para essa parte da população, a inflação do período ficou em 1,23%, contra 1,19% do ICV geral registrado em julho, determinada principalmente pelo peso de 0,91% no item habitação e 0,39% nos transportes nessa faixa de rendimento.
A previsão do ICV para o ano é de que a inflação fique em torno de 6% a 7%. Para o mês de agosto, segundo Cornélia, o índice deve cair para menos de 1%, mas mantendo o resultado positivo. Segundo Cornélia, devem incidir sobre o ICV de agosto um novo reajuste dos combustíveis e mais uma parcela do reajuste de energia elétrica.

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