São Paulo, 21 (AE) - Os preços no comércio varejista da região metropolitana de São Paulo aumentaram 1,48% na 2ª semana de junho (de 14 a 18) em relação a 1ª semana do mesmo mês. É a terceira semana consecutiva que o Índice de Preços no Varejo (IPV), medido pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo, registra alta.
No índice ponta-a-ponta, que mostra a variação dos preços desta semana em comparação com o mesmo período de maio, a inflação deu um salto de 2,49%. Os setores que mais contribuíram para esta oscilação positiva foram os de vestuário e automotivo.
O comércio de veículos novos, por exemplo, registrou uma alta de 4,32% no índice ponta-a-ponta; no período quadrissemanal (média dos preços das quatro últimas semanas em relação a média do mesmo período imediatamente anterior), o aumento foi maior, de 5,86%.
Mas é o setor de vestuário que ainda está puxando a inflação para cima. Na 2ª semana de junho em relação a anterior, os preços do vestuário aumentaram 3,20%; em comparação com o mesmo período do mês passado, a inflação registrou alta de 10 38%. O Índice de Preços no Varejo (IPV) é elaborado e divulgado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP), em parceria com a AGÊNCIA ESTADO.
Segundo o economista Miguel Supico, da FCESP, o aumento dos preços dos carros já era previsto, em razão do acordo automotivo entre governo e montadoras. Os aumentos dos veículos novos ainda devem bater na casa dos 12% ou 15%, mas as concessionárias, na avaliação de Supico, só repassarão os preços até o final do mês. Depois, os preços mantêm-se relativamente estáveis.
Já o setor de semiduráveis, apesar da estabilidade dos preços verificada no comércio de calçados e tecidos, permanece com taxas altas de variação de preços em razão da inflação registrada no comércio de vestuários. "O setor fez estoques insuficientes para enfrentar o inverno e foi surpreendido por uma demanda estimulada pelo frio e pela redução das taxas de juros", explicou Supico.
Para o economista, o IPV não parece ter muita força para crescer, mas "depende do comportamento do setor de vestuários para apresentar recuos mais significativos".
Os reajustes no setor de eletrodomésticos perderam um pouco o ritmo registrado na semana passada e já mostram desaceleração no ponta-a-ponta e na variação semanal de, respectivamente, 0,01% e 0,69%. Na média quadrissemanal, a variação do índice foi um pouco superior, de 1,61%.
O economista da FCESP afirmou que o setor de eletrodomésticos não estava conseguindo repassar integralmente os custos da reposição dos estoques e nem resgatou a demanda. Supico disse que o comércio ainda depende muito de crédito, por isso, "os consumidores encontram dificuldades para financiar a compra de duráveis, geralmente mais caros do que outros bens".
Na avaliação do estudo FCESP-AE, a inflação continua crescendo um pouco mais no varejo do que nos índices de custo de vida porque o varejo pode ter uma ligação estreita com a taxa de câmbio. "Um choque de custos como o da variação cambial estende seus efeitos à indústria, imediatamente, se a produção possui uma matriz de insumo-produto dependente das importações.
Os índices de custo de vida englobam uma série de preços de serviços que não dependem de insumos importados e que, portanto, não devem reagir a um choque de câmbio", diz o estudo.
Supico ainda avalia que a redução da taxa de juros não melhorou substancialmente as condições de crédito direcionado à produção e à comercialização, mas estimulou o consumo do público que tinha os seus recursos aplicados no mercado financeiro. A redução do déficit comercial, afirmou o economista, estimulou a produção industrial doméstica que se reflete, por enquanto, numa recuperação da atividade econômica.
"A provável redução da taxa Selic para em torno de 20% na próxima reunião do Copom (dia 23) deve estimular um pouco mais o consumo no comércio. Mas a capacidade da economia brasileira é muito maior", disse Supico.

mockup