Preços no atacado caem 0,1% nos Estados Unidos
Washington, 14 (AE-AP) - Os preços no atacado nos Estados Unidos recuaram 0,1% em junho, pela primeira vez em quatro meses
em consequência da redução do custo da gasolina e dos carros novos, que contribuiu para atenuar os efeitos da maior alta da carne bovina verificada nos últimos 12 anos.
De acordo com dados divulgados ontem pelo Departamento do Trabalho dos EUA, o Índice de Preços ao Produtor (PPI) que mede as pressões inflacionárias bem antes que elas atinjam o consumidor, foi o menor desde fevereiro, quando ficou em 0,5%. Em maio esse indicador teve alta de 0,2%.
A boa notícia a respeito do comportamento dos preços no atacado reflete a queda de 0,3% no custo da energia, que teve a maior baixa desde fevereiro, e um recuo de 1,3% no valor dos carros novos, a mais profunda queda de preço nesse setor desde janeiro.
Já os alimentos subiram 0,4% por causa da maior elevação do custo da carne bovina desde outrubro de 1985. Mas outro relatório, desta vez do Departamento de Comércio, indica que as vendas no varejo cresceram só 0,1% em junho, recuo importante em relação ao aumento de 1,2% verificado em maio, por causa das fracas vendas no setor automobilístico.
Os preços dos produtos importados, que contribuem manter a inflação sob controle nos Estados Unidos, também caíram 0,2% em junho pela primeira vez em quatro meses, depois de uma alta de 0 8% em maio. Excluídos petróleo e seus derivados, os preços dos demais itens importados, inclusive das matérias-primas, recuaram 0,2%. No ano, a queda acumulada dos bens adquiridos no exterior soma 5,7%.
Os resultados positivos nesses três importantes indicadores devem contribuir, na avaliação de alguns economistas norte-americanos, para diminuir as preocupações dos integrantes do conselho de diretores do Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, em relação à possibilidade de um surto inflacionário.
No dia 30 de junho o Fed entrou em estado de alerta e elevou os juros primários em 0,25 ponto porcentual para impedir que o avanço dos preços no atacado e o crescimento das vendas no varejo comprometessem o bom desempenho da economia norte-americana.
A evolução moderada dos preços no atacado e das vendas ao consumidor poderia permitir que as autoridades do Fed recuperassem a confiança no desempenho da economia do país e adiassem um aperto no custo do dinheiro. Mas um item que consta do relatório divulgado ontem ainda causa preocupação. Trata-se do custo dos bens intermediários - como aço - vendidos aos fabricantes de eletrodomésticos por exemplo, que subiram 0,4% em junho, dobrando o resultado de maio.
O petróleo subiu 3,4%, provocando uma alta média de 1,4% nos produtos básicos em geral. Outro elemento importante para complementar a análise do Fed, o Índice de Preços ao Consumidor, deve ser divulgada depois de amanhã, mas também nesse caso os analistas prevêem um aumento de apenas 0,1% em junho.





