Preços elevados impedem disseminação de computadores
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de outubro de 1999
Por Júlio Moreno 
São Paulo, 29 (AE) - Computadores caros demais,em parte por causa dos softwares acima da necessidade básica dos usuários
são uma das principais causas que impedem a disseminação de computadores nas escolas, em especial em países em desenvolvimento como o Brasil, na visão de Nicholas Negroponte, criador e diretor do Media Lab (Laboratório de Meios) do MIT (Massachusetts Institute of Technology). "Se eu fosse diretor de uma escola no Brasil que tem dinheiro para comprar computadores, iria direto aos fabricantes, explicaria meu problema e mostraria o dinheiro. Estou certo de que eles, em pouco tempo, fabricariam máquinas mais baratas e adequadas à realidade, economizando dinheiro e tempo da escola", disse ele em palestra dada hoje, em São Paulo, a autoridades, educadores e outros convidados especiais da Fundação BankBoston. A primeira-dama Ruth Cardoso era uma das pessoas presentes.
Negroponte diz que a "digitalização da sociedade" tende a crescer muito no Brasil, nos próximos 12, 18 meses, por causa da expansão da Internet em nossa cultura, sempre aberta às novidades. Por causa disso, ele acredita que o Brasil poderá ter
em breve, mais computadores em escolas do que países mais conservadores e fechados, como a França e mesmo o Japão. E esta velocidade de avanços não deve amedrontar professores ou pais, "pois hoje se aprende fazendo, bem diferente daquele modelo de um professor falando a muitos alunos, com pouca interação entre eles".
Uma das pessoas da platéia lembrou que "a Internet traz muitas coisas boas, mas inegavelmente traz tamém o mundo adulto para as crianças, numa polivalência de apresentações que confunde a todos". E, então, perguntou o que fazer por exemplo contra a disseminação da pornografia na rede. Nicholas Negroponte, otimista, respondeu que "a própria Internet deve criar, com o tempo, um mecanismo de purificação". Ou seja, será algo auto-regulado, não alguma coisa que virá de governos ou através de leis. "Já existem experiências em que os visitantes de alguns sites dão notas, recomendando ou não sua utilização por outros, criando um rating entre os diversos conteúdos da rede. Este pode ser o caminho para a filtragem de qualidade na rede no futuro".


