Preços dos veículos continuarão subindo
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segunda-feira, 07 de fevereiro de 2000
Por Marli Olmos 
São Paulo, 07 (AE) - Os preços dos carros devem continuar subindo porque os fabricantes querem recompor prejuízos que, segundo eles, somaram R$ 3 bilhões no ano passado. "Perdeu a graça perder dinheiro", disse hoje o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, tentando justificar os recentes aumentos. Em janeiro, a distribuição de veículos para a rede de concessionários cresceu 3,21% em comparação com dezembro, mas a venda das lojas para o consumidor caiu 18,4%.
Segundo Pinheiro Neto, os investimentos que a indústria automobilística está fazendo em novas fábricas no Brasil não se baseiam somente na expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), mas, sobretudo, na esperança do aumento do poder de compra. Mesmo assim, a indústria vai continuar reajustando preços ao mesmo tempo em que ajuda os concessionários a dar descontos quando os carros estão encalhados nas lojas e pátios das fábricas.
O nível dos estoques nas montadoras e rede de revendedores caiu de 117.551 para 114.930 unidades em janeiro. Todavia, enquanto o volume de dezembro era suficiente para 37 dias úteis de vendas, o de janeiro pode atender a 41 dias. Segundo o presidente da Anfavea, os descontos - que chegam a R$ 1.000 - concedidos pelo setor hoje para estimular vendas, apesar dos reajustes de preços nas tabelas, refletem "uma necessidade financeira para adequar o produto àquilo que o consumidor pode comprar".
Frota - O presidente da Anfavea demonstrou irritação com a repercussão de matéria da AGÊNCIA ESTADO, que destacou o fato de as montadoras já terem, com o aumento, compensado o bônus que terão de desembolsar no programa de renovação da frota. Segundo ele, o bônus que está sendo negociado - R$ 300 por parte das montadoras, e o restante por meio de redução de impostos, num total de R$ 1.800,00 - é um piso.
"Cada empresa pode dar quanto quiser", disse. A Anfavea estima a venda de 1,190 milhão de veículos este ano se não houver programa de renovação da frota. Com o programa, a entidade estima a venda adicional de 142.000 unidades.
Desempenho - A produção de veículos aumentou 14,1%, em janeiro em comparação com dezembro. A indústria automobilística fabricou 93.205 unidades. O volume é também 10,35% maior do que o de janeiro do ano passado. Incluindo veículos importados, foram distribuídas para a rede de revendedores 88.236 unidades, 3,2% mais do que em dezembro. Por outro lado, a venda no atacado encolheu 5,3% na comparação com o mesmo mês de 1999. No varejo os concessionários do País venderam 86.100 unidades, o que representou uma queda de 5% em relação a janeiro de 1999.
A indústria automobilística começa o ano exportando mais do que em janeiro de 99. As montadoras conseguiram faturar US$ 220,7 milhões com as vendas ao exterior, 7,8% mais do que no mesmo período do ano passado. Os populares continuam sendo os mais vendidos do mercado. Os veículos com motor 1.0 representaram, em janeiro, 70,4% das vendas. Já os carros a álcool continuam sendo vendidos em ritmo lento: 986 unidades com este tipo de motor foram distribuídas no mercado, 1,3% das vendas totais.
O nível de emprego está melhor do que há um ano. As montadoras empregam, hoje, 95.600 trabalhadores, 1,9% mais do que em janeiro de 99. Em relação a dezembro, foram abertas 200 vagas. A produção de máquinas agrícolas também aumentou em janeiro, tanto em relação ao mês passado como no mesmo período de 1999.
México - Os fabricantes de veículos aumentaram a expectativa de faturamento com as exportações, este ano. Pinheiro Neto disse hoje que os setor espera exportar o equivalente a US$ 4 bilhões. Há um mês, ele havia previsto chegar a US$ 3,5 bilhões, resultado que empataria com o do ano passado. Em 1998, a indústria exportou o equivalente a US$ 5 bilhões.
As montadoras esperam pelo menos triplicar o faturamento com vendas de veículos e peças para o México, assim que o comércio bilateral entre os dois países estiver fechado. Pinheiro Neto disse hoje que o ritmo das negociações entre indústria e os dois governos indica que o entendimento deverá ser concluído daqui a três ou quatro meses.
Na semana passada, os fabricantes e os representantes dos governos estiveram reunidos na Cidade do México para definir um acordo de isenção de imposto de importação no intercâmbio comercial do setor automotivo. Segundo Pinheiro Neto, a negociação deverá prever índice de nacionalização mínimo de 60% nos dois países.
Esse acordo deverá sair antes do regime automotivo do Mercosul. No ano passado, o Brasil exportou para o México o equivalente a US$ 250 milhões, em produtos automotivos, e importou daquele país o equivalente a US$ 100 milhões.


