Preços dos medicamentos similares de tarja vermelha podem sofrer redução de 10%
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2000
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 15 (AE) - A partir de março, os consumidores poderão comprar cerca de 2000 medicamentos similares de tarja vermelha (vendidos sob prescrição médica), produzidos pelos 64 laboratórios nacionais, com 10% de desconto. A proposta foi discutida hoje entre representantes de indústrias brasileiras e o Conselho Regional de Farmácia (CRF) do Distrito Federal, mas a decisão final ainda depende do resultado de um novo encontro, marcado para sexta-feira.
Outra proposta apresentada hoje foi a de que os laboratórios nacionais ofereçam medicamentos similares aos de uso contínuo (usados diariamente para combater pressão alta, diabetes ou problemas cardíacos, por exemplo) por, no mínimo, 40% a menos do que os mesmos produtos com nome de marca. Para isso, no entanto, os laboratórios querem que o Ministério da Saúde, em contrapartida, dê o aval aos remédios, mostrando sua credibilidade e os divulgando para a classe médica.
A intenção dos laboratórios nacionais é reduzir o preço ao consumidor e ao mesmo tempo ganhar mercado. Os remédios similares são cópias dos produtos de marca. Eles são registrados no Ministério da Saúde, mas tendem a perder a já pequena participação no mercado com a entrada gradual dos genéricos (similares que passam por teste para garantir que produzem os mesmos efeitos que os remédios de marca). Com o aval do governo, passam a ser uma opção procurada pelo consumidor que tem, hoje, poucos genéricos à disposição.
O desconto de 10% em toda a linha de remédios de tarja vermelha só não foi acertado hoje mesmo porque apenas cinco laboratórios participaram do encontro no CRF. Será preciso, na sexta-feira, obter o aval da maioria dos integrantes da Associação dos Laboratórios Nacionais (Alanac). Os medicamentos de tarja vermelha representam 80% de toda a produção dos laboratórios nacionais, que, por sua vez, detêm, hoje, cerca de 15% de todo o mercado farmacêutico no Brasil.
"Percebemos que os descontos dados não chegavam ao consumidor e queremos reverter essa situação", afirmou Eduardo Gonçalves, da indústria Green Pharma. "Ao mesmo tempo, vamos ampliar mercado", disse ele. O presidente do CRF do Distrito Federal, Antônio Barbosa, quer aumentar o porcentual de 10% de desconto proposto. "Dá para beneficiar ainda mais o consumidor", defendeu Barbosa.


