São Paulo, 01 (AE) - O consumidor que deixou as compras de ovos de Páscoa para última hora fez um bom negócio neste ano. Com medo do encalhe, supermercados e fabricantes de chocolates renegociaram os contratos de consignação e cortaram em até 15% os preços dos ovos de chocolate, desde terça-feira. Com isso, o ritmo de vendas melhorou em relação ao registrado no fim de semana, mas o comércio ainda espera um acréscimo significativo no movimento entre amanhã e domingo, quando boa parte das grandes redes de supermercados vão funcionar normalmente.
"O movimento melhorou, mas não deslanchou e ainda teremos um bom volume de vendas no domingo de Páscoa", prevê o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo. Segundo ele, o fato de a Páscoa deste ano ter caído logo no início do mês, antes, portanto, do recebimento do salário, provocou a concentração das vendas nos últimos dias. Por causa disso, o comércio decidiu flexibilizar o pagamento, aceitando pré-datados e as indústrias optaram por baixar preços, em média 10%, conta o presidente da Abras.
A indústria, que produziu para a Páscoa deste ano um volume 7% maior de ovos de Páscoa em relação à mesma data de 1998 está monitorando diariamente as vendas dentro dos supermercados e deve continuar entregando produtos inclusive neste sexta-feira, informa o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Omar Assaf.
Na análise de Assaf, além da restrição econômica e o volume maior de produção, o calor intenso registrado nos últimos dias contribuiu para que os fabricantes cortassem os preços na última hora. A redução nas cotações, explica, depende do tipo e do tamanho do produto e oscila entre 5% e 15%.
"A crise está ensinando o fornecedor e o varejista a lidar com o mercado e saber o que o consumidor quer", diz Assaf
que trabalha com a expectativa de repetir nesta Páscoa o desempenho do ano passado. Até hoje, os supermercados paulistas tinham vendido cerca de 60% dos volumes. O ritmo de vendas, na sua avaliação, estava menor comparado ao mesmo período de 1998.
O diretor de vendas da Lojas Americanas, Osmair Luminatti, admite que a rede reduziu nesta semana os preços de alguns tipos de ovos, entre 15% e 20%. "Renegociamos os preços de um ou outro produto que não estava vendendo bem." Luminatti destaca o corte nos preços não foi generalizado e as 86 lojas da rede espalhadas pelo País estão acompanhando a concorrência dos supermercados. No caso do ovo do Rei Leão e da Turma da Mônica, marca própria da rede e que estão quase esgotados, a redução de preço, de R$ 4,99 para R$ 3,90, já fazia parte da estratégia da empresa. Até hoje, 95% dos 14 milhões de ovos tinham sido comprados pela rede tinham sido vendidos. Para incrementar as vendas, a empresa está aceitando cheque pré-datado para 7 de maio no caso das compras acima de R$ 30
O Carrefour e o Pão de Açúcar informam que as vendas seguem em bom ritmo e devem crescer nos até domingo, atingindo as metas traçadas.

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