Rio, 19 (AE) - Os preços do minério de ferro que serão vendidos pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) este ano fecharam bem abaixo das previsões da empresa, que eram de queda de até 9% em relação ao mesmo período do ano passado. Houve uma redução de cerca de 11% no preço dos finos e 10,2% no de granulados.
O decréscimo, no entanto, já era esperado pelo mercado, uma vez que a Rio Tinto, a maior mineradora do mundo e a maior produtora de minério de ferro, anunciou que a sua unidade australiana, a Hamersley Iron, cortará entre 10,2% e 11% os preços para os fabricantes de aço japoneses.
Segundo a Vale, o acordo com as usinas siderúrgicas japonesas para a entrega no ano mineiro - que vai de 01 de abril deste ano a 31 de março de 2000 - foi fechado no último dia 16, em Tóquio. "Para os finos de minério - Standard Sinter Feed - exportados via Porto de Tubarão, no Espírito Santo, o preço FOB (preço do minério colocado no navio) foi de US$ 0,2387 por unidade metálica, o que representa uma queda de 11% em relação ao preço praticado em 1998", destacou, em comunicado.
Para os granulados exportados por Tubarão, o preço fixado foi de US$ 0,2595, correspondendo a uma redução de 10 2%". Os finos de minério de Carajás, no Pará - Carajás Sinter Feed -, embarcados pelo Terminal de Ponta da Madeira para os clientes japoneses, passarão a custar US$ 0,2437, com uma redução de 10,8%. Os preços para o mercado japonês se referem à unidade metálica por tonelada longa, ou seja, 1.016 Kg.
No caso da negociação com as siderúrgicas alemãs, realizada ontem (18), o preço ficou um pouco melhor. Segundo a empresa, foi acordado os seguintes preços para o calendário deste ano, que nesse caso vai de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 1999: finos de minério (Standard Sinter Feed) exportados por Tubarão, preço de US$ 0,2696 por unidade metálica, significando uma queda de 9,2%; finos de minério de Carajás - Carajás Sinter Feed - embarcados em Ponta da Madeira, preço de US$ 0,2759 por unidade metálica, ou seja, uma redução de 11%. Os preços do mercado alemão se referem à unidade metálica por tonelada métrica (1.000 Kg).
O analista do Banco Paribás, Michael Sones, em relatório do dia 16 de fevereiro, já previa que a CVRD acompanharia a redução de preços da australiana. Apesar disso, o analista continuou reiterando sua recomendação de compra para a empresa. Para o Sones, a companhia "é um bom hedge natural", apesar da expectativa de queda nos preços do minério de ferro. Ou seja, por ser exportadora, está livre do impacto do dólar. Ajustando seus modelos de projeção de resultados às novidades, com menores preços para o minério de ferro e o dólar a R$ 1,80, Michael Sones calculou um lucro de US$ 991,7 milhões para a Vale do Rio Doce em 1999, US$ 2,56 por lote de mil ações, contra US$ 2,57 por lote de mil em sua projeção anterior.

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