Preços de alimentos no atacado continuam subindo
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Denize Bacoccina 
São Paulo, 22 (AE) - O aumento de 5,98% na cesta básica este mês é apenas o começo. Os empresários do setor de supermercados dizem que, no atacado, os preços ainda estão subindo e devem continuar com essa tendência por pelo menos mais 60 dias. "Devem recuar alguns preços, como de óleo de soja e arroz, mas em compensação devem subir laticínios, frango e carnes", diz o presidente da Associação Paulista dos Supermercados (Apas), Omar Assaf.
No mês passado, a expectativa do setor era de que os aumentos começariam a perder intensidade e seriam revertidos ainda em fevereiro. Mas a pesquisa Procon/Dieese, feita diariamente nos supermercados da capital, mostra que os reajustes, constantes desde a última semana de janeiro, continuam com força. Somente neste fim de semana, a alta foi de 1,16%, elevando para R$ 129,28 o preço dos 31 itens que compõe a cesta.
Assaf disse que, com os aumentos, praticamente acabaram as promoções de produtos da cesta básica. "A margem de lucro é muito pequena", explica. Quando esses produtos são colocados em oferta, ele diz que a promoção não dura mais do que dois ou três dias. A Apas formou uma comissão de empresários para negociar com os principais fornecedores. "Já conversamos com fabricantes de óleo e de café e agora vamos negociar com o setor de higiene e limpeza", diz Assaf. "O momento é crítico, precisamos ser duros", diz.
Esta semana, a maior preocupação do presidente da Apas é com o preço do frango. Com o aumento dos contratos de exportação
conseguidos em maior número após a desvalorização do real, o preço está subindo também no mercado interno. No atacado, o quilo do frango já subiu de R$ 1,05 no começo do mês para R$ 1 30 hoje. No varejo, o preço subiu de R$ 1,26 no dia 29 de janeiro para R$ 1,36 na sexta-feira e R$ 1,40 hoje, um aumento de 11,11% no mês.
Os itens que tiveram os maiores aumentos em fevereiro foram o queijo mussarela, com alta de 20,4% desde o início do mês. O óleo de soja, cuja matéria-prima é produzida no Brasil mas com preço cotado em dólar, subiu 18,7% este mês, com o preço saltando de R$ 1,07 para R$ 1,27. É a mesma situação do pó de café, que aumentou 16,74% este mês. A farinha de trigo, cujo preço também é ditado pelo mercado internacional, já subiu 15,8% desde o fim de janeiro.


