São Paulo, 15 (AE) - O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, admitiu que o governo pode fazer muito pouco para controlar o preço das commodities, como arroz, soja e carne. A afirmação foi uma resposta a queixas de representantes dos comerciantes de pequeno e médio portes do Estado de São Paulo, que temem alta do preço desses produtos em abril, com a chegada da safra agrícola e a pressão por exportações.
"Estamos vendendo arroz da Tailândia e dos Estados Unidos e desconfiamos que o produtor nacional prefira exportar do que vender aqui", disse Wilson Tanaka, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo, logo após uma reunião com Considera, na sede paulistana do ministério.
De acordo com Tanaka, Considera disse que o governo tem dificuldades em tentar controlar preços do setor agrícola porque houve muito estímulo para exportação. "Não podemos garantir que não haverá desabastecimento", disse o empresário, temendo preços muito altos.
Até agora, no entanto, a principal preocupação dos comerciantes é o aumento dos preços. Os produtos lácteos e derivados da farinha de trigo são os que mais subiram. A consequência foi uma queda das vendas. Em janeiro foi de 3,5% em relação ao mesmo mês de 1998, mas deve aumentar mais.
Além dos comerciantes, a reunião contou com o representante dos setores atacadista de produtos industrializados, que não prevê dificuldades com abastecimento. Preço também é a preocupação central.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados, Luiz Antonio Tonin, houve um aumento médio de 4% a 5%. Os produtos importados tiveram aumentos de até 40%, com uma consequente queda nas vendas de 25%.
Até o momento, o setor atacadista repassou apenas parte desse reajuste para o comércio, mas até meados de abril deverá ter concluído o repasse. "O governo quer manter o controle da inflação a qualquer custo para evitar uma recessão maior", disse Tonin, explicando que o atacadista não está encontrando dificuldades para negociar com a indústria.
Mas os estoques já foram aumentados. Até a desvalorização, era de 23 dias. Agora, é de 30 dias, contra estoques de 35 a 40 dias do período anterior ao real.
As vendas do atacado aumentaram 9% no período de janeiro-fevereiro deste ano em relação ao mesmo período de 1998. A expectativa de Tonin, entretanto, é de uma queda de 5% a 7% em março e abril, que deve continuar em maio.
No acumulado de 1999, o setor atacadista de produtos industrializados espera um aumento de 2% nas vendas, a partir de uma recuperação da economia no segundo semestre.

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