São Paulo, 23 (AE) - Os preços de carne praticados no atacado recuaram hoje, pressionados por uma maior entrada de produto dos frigoríficos no mercado atacadista. Segundo José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, o volume de carne que chegou ao atacado foi pequeno, mas o suficiente para pressionar os preços já que a demanda por carne está bastante enfraquecida. Segundo ele, o preço do traseiro/dianteiro está sendo negociado hoje a R$ 2,60/R$ 1,60 ante R$ 2,65/R$ 1,65 nos últimos dias.
Ferraz disse também que a tendência é de que o atacado recue um pouco mais. Porém, ele acredita que o traseiro pode apresentar uma ligeira recuperação à medida que os exportadores devem começar a comprar um maior volume do corte para exportar. No mercado físico, os frigoríficos entraram no mercado hoje tentando derrubar as cotações em R$ 0,50 mas a alta do dólar fez com que os pecuaristas mantivessem seus preços inalterados e os negócios foram poucos.
Segundo Ferraz, se o dólar não recuar, pode haver uma nova paralisação de ofertas por parte dos pecuaristas. Alcides Torres, da Scot Consultoria, informa que a seca no Nordeste tem favorecido os mercados do Pará e do Tocantins com o intercâmbio entre essas regiões sendo intenso. Segundo ele, os caminhões que vão com boi gordo voltam com animais para recriar. Já no Estado de São Paulo, a reposição de gado não está acontecendo com a velocidade que deveria. Para Ferraz, o fato de os pecuaristas estarem segurando as ofertas pode estar relacionado com a dificuldade que eles estão tendo em repor os bois abatidos. Segundo ele, a relação de troca está desfavorável para o pecuarista.
Hoje, um bezerro desmamado está custando cerca de R$ 258 por cabeça, o que permitiria uma troca de 1 boi gordo para 2,05 bezerros. Segundo o mercado, a troca ideal é de 1 boi para 3 bezerros. No mercado futuro, os preços continuam caindo com a alta do dólar. O curto-prazo recua mais que o longo o que, segundo analistas, é um sinal de que o mercado está acreditando na retração do dólar nos próximos meses.

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