Rio, 03 (AE) - Os preços de alguns produtos vendidos no comércio do Rio mais do que triplicaram em julho, em relação a junho, de acordo com cálculos feitos pelo Instituto Fecomércio de Pesquisa e Desenvolvimento do Estado. Pela avaliação de técnicos do instituto, parte deste aumento deveu-se à greve dos caminhoneiros que, durante quatro dias, suspendeu a entrega de produtos ao mercado. O impacto foi notado especialmente no setor de hortaliças, legumes e frutas, no qual o Rio é importador de Minas e de São Paulo. Em junho, o cálculo do Índice de Preços do Comércio Varejista (IPCV) havia apontado variação de 0,04%. Em julho, a taxa passou para 1,18. No item alimentação, a variação de preços, que havia registrado queda de 0,59% em junho
passou para uma elevação de 1,15%. O Fecomércio acompanha a oscilação de preços em 200 estabelecimentos na região metropolitana do Rio.
"A greve dos caminhões teve um peso grande neste aumento", comenta Maria Alice Birdeiro, uma das responsáveis pelo estudo estatístico. "Na Ceasa, que é um mercado abastecedor, a caixa da cenoura passou de R$ 0,15 para R$ 0,38 na semana passada, uma alta fora de propósito, não fosse a crise de desabastecimento." Ela acredita que, com o retorno à normalidade, alguns preços irão cair, mas há produtos que ainda devem sofrer aumento para o consumidor.
É o caso, por exemplo, do feijão que, segundo ela, permanecerá em elevação em setembro, por causa da entrada do período de entressafra. Já o preço do arroz ficará estabilizado, como prevêem os técnicos. Os cereais, assim como a carne, vinham numa trajetória de queda bem acentuada nos últimos meses, o que contribuiu para conter a elevação das taxas de inflação. Agora, mesmo ainda apresentando variação negativa, a baixa dos preços não é mais tão significativa.
O item alimentação é o que representa o maior peso no cálculo do índice do Fecomércio, mas o maior reajuste de preços nas prateleiras ficou por conta dos artigos para limpeza e reparos, que passou de -0,67% para 2,97%. Dos seis grupos de coleta, apenas uma apresentou queda de preços: os produtos farmacêuticos passaram de 4,11% em junho para 2,38%.

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