Genebra- Muitas pessoas são mal informadas a respeito dos fatores de risco do câncer, acreditando que comer frutas e legumes protege mais da doença do que parar de consumir álcool, revela um estudo divulgado ontem em Genebra. ''Muitos têm crenças errôneas sobre o que causa o câncer, e têm a tendência de superestimar a ameaça proveniente de fatores ambientais, que têm relativamente pouco impacto, minimizando os perigos de seu próprio comportamento'', segundo a União Internacional contra o Câncer (UICC).
O estudo, apresentado pela UICC para a abertura em Genebra de um congresso mundial sobre a doença, foi realizado no ano passado com cerca de 30.000 pessoas de 29 países do mundo inteiro pelo Roy Morgan Research e pelo Gallup International.
Segundo essa pesquisa, nos países desenvolvidos como Estados Unidos, Grã-Bretanha ou Espanha, 59% das pessoas pesquisadas pensam que não comer frutas e legumes em quantidade suficiente aumenta o risco de câncer. O consumo de álcool é considerado um fator de risco por apenas 51% deles. Pior ainda, 42% das pessoas consultadas nos países ricos estão convencidas de que o consumo de álcool não aumenta o risco de câncer. ''As provas científicas de um eventual efeito protetor das frutas e legumes são muito menores do que aquelas que estabelecem o caráter nocivo do consumo de álcool'', revela a UICC.
''Em geral, as pessoas têm tendência a acreditar que os fatores que não estão sob seu controle (como a poluição do ar) são mais importantes que os fatores que dependem de seu comportamento (como a obesidade e o tabaco)'', lamenta a organização.
Habitantes de países em desenvolvimento adotam frequentemente uma atitude fatalista frente à doença: 48% das pessoas consultadas nesses países consideram que ''não se pode fazer grandes coisas'' para tratar o câncer, contra apenas 17% que têm essa opinião nos países ricos. ''Essa opinião conformista é muito preocupante porque ela dissuade as pessoas a participar de campanhas de prevenção, tão importantes para salvar vidas'', adverte a UICC.
Esse estudo mostra que ''as mensagens mais importantes não são entendidas'', ressaltou o presidente da UICC, David Hill. ''As pessoas têm necessidade de saber por que devem mudar, precisam que se mostre a elas como mudar, precisam de meios ou de apoio para mudar, que as lembremos de que é preciso mudar'', insistiu. ''O câncer mata mais do que a malária, a Aids e a tuberculose juntas'', lembra a UICC.
''A cada ano no mundo, mais de 11 milhões de novos casos são detectados'', lembra a organização internacional. ''Se na da mudar, esse número chegará até 2030 a quase 16 milhões de novos casos, com cerca de 11,5 milhões de mortes por ano'', adverte a UICC.

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