O racismo institucional, que resulta na restrição e até mesmo negação de direitos à população negra pelas próprias instituições, é um desafio a ser superado para que o Brasil alcance a almejada igualdade social e racial. A análise é da promotora Mariana Seifert Bazzo, do Núcleo de Promoção da Igualdade Étnico-Racial do Ministério Público (MP) do Paraná.

"Os negros sofreram violações graves de direitos na época da escravidão e, após seu término, não houve qualquer política pública que reparasse os danos até então causados. Essa razão histórica interfere na situação da população negra até hoje", afirma.

Segundo ela, o racismo permanece como conduta criminosa, mas também nas instituições. "Há resistência na aplicação das leis de proteção à população negra, principalmente quando falamos de políticas afirmativas", critica, referindo-se principalmente ao Estatuto da Igualdade Racial (2010) e leis federais de cotas em universidades e em concursos públicos (2012 e 2014).

A promotora lembra que, há séculos, a população negra vive uma realidade de menos acesso à educação e ao mercado de trabalho. "Não foram implementadas políticas públicas que pudessem corrigir tal situação", critica, destacando que ainda é comum a negativa de oportunidades de emprego e outros benefícios a essas pessoas por causa do racismo – enquanto conduta criminosa - e discriminação por raça e cor das pessoas. "Outro problema são os índices altos de racismo no ambiente escolar", lamenta.(C.A.)

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