Preço limita consumo de peixes
Emerson Cervi
De Curitiba
O consumo de peixes em Curitiba na Semana Santa de 2000 não deve crescer em relação ao ano passado. Segundo os distribuidores de pescado, devem ser vendidos cerca de mil toneladas do produto entre hoje e sábado. Isso representa menos de um quilo de peixe por habitante. Segundo Romélio Agres, proprietário da Frupesca distribuidora de pescados Ltda uma das mais antigas de Curitiba, o preço é o maior limitante para o mercado. O brasileiro em geral não sabe comer peixe porque o quilo dessa carne ainda é mais caro que a de boi, diz.
Pesquisa feita pela Coordenadoria de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-PR) mostra que o valor não é o único empecilho. Existe também a variação de preços na cidade. A maior variação constatada foi na sardinha charuto, com 225,8%. A menor variação ficou com o bacalhau Porto, com 25,7%. A pesquisa foi realizada no dia 14 de abril, com coleta de preços de 18 itens emquatro supermercados e seis peixarias. A sardinha charuto pode ser comprada de R$ 0,89 a R$ 2,90 o quilo.
Na comparação da pesquisa do Procon de 1999, onze dos 16 itens estão mais caros neste ano. Apenas cinco tiveram queda de preço. A maior diferença ficou com a pescada maira mole, que está 62,7% mais cara nesse ano. A mair redução ficou com a corvina, que tem, em média, 16,5% de que no preço. O filé de merluza custa 15,2% a menos que em 1999.
O empresário do setor tem uma explicação para essas diferenças. Segundo Romélio Agres, a população não compra mais os peixes populares. Ao contrário do que se imagina, a maior demanda é pelos filés. O consumidor sabe que comprando um peixe barato terá que limpar, tirar espinhos e acaba tendo uma quebra de 50% do peso, afirma. No caso do bacalhau, as quebras ficam próximas a esse índice. No caso dos filés, o peso comprado é o que será consumido, as perdas são praticamente zero.
Interessa às peixarias aumentar o volume de venda dos itens que têm maior aceitação. Por isso os comerciantes reduzem as margens de lucro nesses produtos. Os filés de robalo, pescada e cação, por exemplo, representam cerca de 70% do volume de peixes distribuídos pela Frupesca nesse período do ano.





