Preço é o que atrai o argentino
Preço é o que atrai o argentino
Quanto cuesta? Dame dos! A expressão é corrente entre os moradores de Florianópolis (SC) ao se referirem aos argentinos que lotam as praias da cidade nos meses de verão. Beneficiados pela desvalorização do real, os dólares dos turistas vizinhos conseguem transformar as praias do norte da capital em filiais da Argentina.
Em Canasvieiras, Ponta das Canas e Cachoeira do Bom Jesus, o espanhol e o portunhol viraram idiomas extra-oficiais. Cardápios, placas e informações turísticas são bilíngues, e não é raro os balconistas se espantarem quando atendem algum brasileiro nas lojinhas de lembranças. A avenida Madre Maria Villac, a principal de Canasvieiras, é o ponto de concentração dos hermanos (irmãos). O trânsito, lento, é coalhado de coches (carros) com chapa preta. As churrascarias servem parilla (o churrasco à moda argentina), e as manchetes expostas nas bancas de jornal são dos diários portenhos Clarín, La Nacion e Página 12. Um único jornaleiro chega a vender 200 exemplares de cada um por dia.
Mesmo com chuva, típica do mês de janeiro, os turistas não se intimidam e esticam a noite o quanto podem. Só famílias com crianças e casais idosos recolhem-se mais cedo.
Os turistas argentinos vão a Santa Catarina principalmente em grupos (família ou amigos) e são, em sua maioria, de classe média. O contador Oscar Moscatelli, da província de Santa Fé, por exemplo, veio de carro com a mulher e a filha para uma temporada de 15 dias, a primeira no Brasil. A família preferiu ficar instalada em um apartamento a US$ 50 a diária na praia de Canasvieiras, a 27 quilômetros do centro de Florianópolis. Está muito mais em conta veranear aqui do que no Chile ou Uruguai, diz. As estudantes Karen Lombardo, 23, e Silvina Mácia, 22, ambas de Buenos Aires, foram para Florianópolis com mais cinco amigas para passar um mês na cidade.
Enquanto descansavam da viagem de 30 horas de ônibus, sentadas em cima das bagagens, as outras turistas do grupo procuravam uma casa por US$ 35 a diária. Karen, que já esteve em Florianópolis em 99, diz que gosta das praias catarinenses por serem mais quentes que as argentinas, sem contar a paisagem. (Agência Folha)





