Preço dos carros pode subir até 12% em setembro
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terça-feira, 20 de julho de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 21 (AE) - Os preços dos carros devem subir entre 8% e 12% a partir de setembro, quando termina o acordo automotivo, que congelou as tabelas com impostos reduzidos. Com mais esse percentual, os carros terão acumulado este ano aumentos de 28%. Os números de aumentos representam a expectativa do mercado.
Os executivos do setor não comentam números oficialmente
mas admitem que haverá repasses de custos. O impacto imediato poderá ser o anúncio de mais férias coletivas nas montadoras.
Somente por conta da mudança de linha (modelo 1999 para 2000) haverá aumento de 2% a 3%. Os fabricantes e veículos pretendem repassar ainda aumentos de custos com tarifas, como energia elétrica, e reclamam de sobras de defasagem da desvalorização cambial. A indústria de autopeças também já se queixa de reajustes nos insumos, como aço e derivados de petróleo.
Os fornecedores conseguiram parcelar ou protelar reajustes de alguns produtos e matérias-primas, o que indica que novos aumentos nos preços dos veículos podem ocorrer, logo depois do primeiro impacto no início de setembro.
Com tantos reajustes, há, entre concessionários, quem aposte já num mercado em 1999 muito abaixo do que se esperava. A indústria queria empatar com o ano passado - 1,5 milhão de veículos. Refez as contas várias vezes e está prevendo agora 1,2 milhão de unidades. No mercado há quem aposte que o total não chegará a um milhão.
Os concessionários terminaram o mês passado com mais de 100 mil veículos no estoque. O número não se alterou e, segundo fontes, o ritmo indica que em poucos dias os volumes estarão muito acima disso.
Embora haja falta dos modelos mais procurados, o estoque em geral sobe. Segundo as mesmas fontes, a quantidade de carros parados nas revendas está chegando perto do suficiente para quase dois meses de vendas.
Por conta da expectativa do fim do acordo emergencial, os concessionários deverão reduzir o nível dos descontos nos próximos dias. O percentual de abatimento tem variado de 5% a 10%, dependendo dos modelos.
Mesmo assim, o setor não conta com demanda tão expressiva. E mesmo que o interesse do consumidor aumente no próximo mês, não haverá nenhuma euforia capaz de elevar o ritmo de produção. As taxas de juros ainda estão akltas e o medo do desemprego tem levado o consumidor a evitar dívidas com financiamentos.
Peças - A indústria de autopeças trabalha com ociosidade de 30%, segundo o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Paulo Butori. E não se vislumbra nenhuma alteração nas encomendas aos fornecedores.
Com mais aumentos, o mercado mensal poderá cair das atuais 100 mil para 60 mil unidades. E não haverá outra saída para a indústria a não ser novas férias coletivas - ou demissões.
O acordo automotivo emergencial - editado em março e renovado no final de maio - reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e ICMS em alguns Estados. Em troca, as montadoras se comprometeram a não elevar preços. E a não demitir. A idéia era criar uma forma de elevar a demanda. O governo já avisou que não vai renovar o acordo.


